Jonas: prós e contras
1 Jonas rejeitou uma proposta de mihões da China e, salvo qualquer oferta irrecusável que entretanto surja – o defeso ainda nem sequer vai a meio... –, permanecerá mesmo no Benfica. A continuidade do brasileiro na Luz encerra, contudo, prós e contras. Ficar no plantel com aquele que foi, na época passada, o jogador mais valioso e de maior classe da equipa constitui, sem dúvida, um motivo de regozijo para sócios e adeptos. Só que os primeiros sinais do Benfica 2015/16 levam-nos a suspeitar da criação de um novo modelo de jogo, que não o 4x4x2 ou o 4x1x3x2, utilizados por Jorge Jesus nos últimos seis anos, e a que Jonas, na última época, tão bem se adaptou.
A contratação de jogadores capazes de desempenhar funções de n.º10 e a permanência/regresso de outros de características semelhantes fazem pensar que Rui Vitória pretende utilizar um único ponta-de-lança no onze. Assim sendo, está criado um problema ou pelo menos parte dele. Jonas tem obviamente, pelas características que reúne, muito mais apetência para atuar com um avançado ao lado, do que sozinho na área contrária ou a recuar em demasia para organizar o jogo a meio-campo. Neste contexto, Jonas pode ficar, mas correndo o risco de ser subaproveitado.
2 Os principais clubes portugueses voltaram a apostar nas equipas B e os resultados estão à vista. Os nossos jovens futebolistas amadureceram mais depressa, fruto da maior competitividade a que estiveram sujeitos. No Mundial sub-20, a Seleção Nacional realizou uma primeira fase notável, passou de seguida a anfitriã Nova Zelândia, e foi eliminada nos quartos-de-final pelo Brasil, através do desempate por penáltis, num jogo que dominou amplamente. Apesar da saída algo prematura, Portugal mostrou ser uma das melhores equipas da prova, senão mesmo a melhor.
Nos sub-21, a turma das quinas disputa hoje as meias-finais diante da Alemanha, depois de um percurso cem por cento vitorioso durante a qualificação e sem ter averbado qualquer derrota na fase final da competição. Entre tantos jovens talentosos que estão a aparecer – e alguns deles até já se afirmaram definitivamente – destaque para o emergir de dois pontas-de-lança, que prometem preencher uma grave e intergeracional lacuna do nosso futebol. Gonçalo Paciência, entre os mais velhos, e, principalmente, André Silva, nos mais novos, podem ocupar o espaço que Nuno Gomes e Pauleta deixaram vago.
