Jorge Jesus: 8 ou 80?

Adicione como fonte preferencial no Google

Depois de vários trabalhos de qualidade em emblemas onde atingir as competições europeias era o máximo que lhe podiam exigir, Jorge Jesus chega, finalmente, a um grande. O Benfica concede-lhe a oportunidade que sempre desejou mas, agora, não basta praticar um futebol interessante, fazer a vida negra aos crónicos candidatos ao título ou dizer que, com outros jogadores, dava de avanço a este ou aquele. Na Luz - como seria no Dragão ou em Alvalade - só há um lugar que interessa e esse, convém recordar, poucas vezes foi ocupado pelas águias nos últimos tempos, o que indicia que, por aquelas paragens, talvez não seja somente o treinador o único (ou principal) causador de tantas desilusões.

Jesus tem demonstrado, ao longo dos tempos, ser um técnico descomplexado, astuto. Não é por acaso que para muitos futebolistas passa por ser um mago das tácticas. Mas ao talento que revela para descodificar os esquemas dos adversários, Jesus sempre juntou imensas dificuldades para falar. Ou melhor: para falar sem os seus "pontapés na gramática" que há muito são famosos entre as gentes do desporto-rei

Pode um treinador ser bem sucedido apesar de não se exprimir da melhor maneira? Claro! Aliás, se Jesus entrar com o pé direito no Benfica, vencendo os primeiros compromissos oficiais e colocando a equipa - como prometeu - a jogar, no mínimo, o dobro do que fazia com Quique Flores, terá todo o crédito para, aqui e ali, "escorregar" nas conferências de imprensa. Vieira (que também não é propriamente um exímio orador) e Rui Costa não o foram buscar por causa do seu português. E sócios e simpatizantes pretendem tudo menos "conversa".

Mas, como sucede com todos os outros treinadores que passam pelos grandes, também este não terá vida fácil se tardar em colocar os encarnados no trilho certo. Sem títulos no currículo, dado aos deslizes no contacto com a imprensa e incapaz de refrear os ânimos durante a apresentação (onde garantiu que vai ser campeão), Jesus será um alvo fácil dos exigentes adeptos. E num clima de instabilidade, nem Vieira lhe poderá valer. É que o ex e futuro presidente também vai estar em constante avaliação por uma oposição que parecia algo confusa mas que, ao mostrar (mesmo sem avançar para as urnas) José Eduardo Moniz, deixou um aviso claro: se as vitórias tardarem a regressar à Luz, o treinador não será o único a cair...

PS - Pese todos os elogios que Luís Filipe Vieira lhe fez publicamente, Manuel Vilarinho vai deixar de ser o líder da mesa da Assembleia Geral do Benfica. E não foi preciso esperar muito para ouvir por aí que esta alteração estava directamente ligada ao facto do antigo presidente ter queda para falar mal, no local errado e no momento menos propício. Felizmente, já foi esclarecido que o Dr. fica fora dos órgãos sociais apenas por motivos pessoais. Ainda bem que é assim. Só foi pena os tais motivos terem aparecido subitamente. Quase tão depressa como a contratação de Jesus após o divórcio deste com o Sporting de Braga...

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade