Juízos e delírios
Como é possível apontar um penálti quando o lance se passa a um metro da área? Como é possível não ver uma mão nítida no coração da área? Como é possível apitar para a marca de grande penalidade quando um jogador se atira contra as costas do adversário sem sombra de qualquer falta? As arbitragens a que estamos a assistir no campeonato português parecem apostadas em matar o amor do povo pelo mais apaixonante jogo da atualidade. Estamos apenas na sexta jornada, os casos de juízos grosseiros avolumam-se. Não me recordo de um tão mau início de campeonato por parte da generalidade dos árbitros.
Ofutebol é, em muitas das suas vertentes, uma metáfora da vida, diz-se. A arbitragem está uma fiel metáfora da justiça coxa e subserviente que vamos tendo. Quando o melhor árbitro do Mundo aponta para a marca de penálti, como Pedro Proença fez ontem num gesto ridículo e desprovido de qualquer suporte factual, esse árbitro não pode ser sequer o melhor árbitro da sua rua. Toda a gente viu que não há penálti algum, todos vemos no iníquo gesto de Proença um tributo de favor ao mais forte contra o esforço do mais fraco para manter o empate. Assim se mata a esperança.
OFC Porto não está a jogar nada? Os flancos não funcionam, não produzem o perigo necessário para quebrar a oposição tenaz do V. de Guimarães? A bola empastela nos pés de jogadores tristes? Então o senhor árbitro resolve. A justiça coloca-se ao lado do mais forte para que a falta de talento e de estratégia vencedora possam passar impunes. No final de um jogo destes apetece virar as costas ao futebol. Deixar que Proenças, Vítores Pereiras e um punhado de outros feiticeiros matem de vez o encanto do jogo.
Éimpressionante a facilidade com que, à vista de milhões de pessoas, se toma uma decisão errada, mesmo inexplicável, e se passa impune. Depois do delírio revelado no lance que ditou o resultado do jogo de ontem à noite no Dragão, talvez Pedro Proença até leve nota elevada do respetivo observador. E o futebol vegeta com cada vez menos adeptos na bancada e um gosto amargo na boca dos que acreditam que deve ser o esforço com talento de jogadores e treinadores a ditar a sorte dos jogos.
