Justiça "à italiana"

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O "caso Mateus" não pára. Quase todos os dias temos novidades sobre o assunto, embora aquilo que verdadeiramente interessa (o que fazer com Belenenses e Gil Vicente) ninguém resolva. Com um bocadinho de boa vontade - e contando já com todos os recursos possíveis e imaginários - talvez a solução seja conhecida com os campeonatos já em andamento, o que muito contribuirá para a credibilidade do futebol português...

Entretanto, hoje fiquei satisfeito por saber que Adriano Afonso já escolheu mais alguém para a Comissão Disciplinar da Liga. Agora, já existe o número suficiente de elementos para deliberar.

Qual será o resultado deste encontro "na secretaria" entre Belenenses e Gil Vicente? É fácil: ganha o clube de Restelo! Resta saber se o desfecho será 2-1 ou 3-0.

Para o "resultado" ser diferente, será preciso que pelo menos um dos elementos que votaram a favor dos lisboetas na "primeira volta" mude de opinião. É possível, pois alterar o sentido de voto nesta querela é coisa que já sucedeu, mas pouco provável. Imaginem o que seria Pedro Mourão ou Frederico Cebola - que até se demitiram por causa da deliberação anterior (demissão essa depois retirada ou não aceite ou algo parecido...) - terem opinião diferente agora. Como diz o povo, seria "a cereja em cima do bolo".

Bom, mas enquanto em Portugal esta "embrulhada" continua sem fim, muita gente aponta a Justiça italiana como um exemplo a seguir. À primeira vista, efectivamente, os transalpinos não tiveram medo de "mexer" com gente famosa. Nem o título mundial conquistado na Alemanha parecia ser capaz de originar um perdão.

Porém, uma análise mais cuidada pode levar a outra interpretação. Vejamos:

- Se o AC Milan é culpado, porque razão nunca esteve em perigo de cair na Serie B? E qual o motivo que levam os dirigentes federativos a equacionar a presença dos "rossoneri" nas competições europeias?

- Se Lazio e Fiorentina também "jogaram nos bastidores", qual a razão porque vão continuar na principal divisão? E se começar com 11 ou 19 pontos negativos pode ditar a descida no final da próxima época, imaginem quanto dinheiro (em direitos televisivos, publicidade, etc, etc...) os dois clubes deixam de perder por, de momento, alinharem na Serie A?

- Se a Juventus era o "cérebro" de todos os negócios escuros, porque razão teve direito a uma pequena "amnistia", passando dos -30 pontos no arranque da próxima Serie B para "apenas" -17. Será que, afinal, combinaram menos resultados?

Sejamos claros. A Justiça italiana entrou "cheia de gás", mas rapidamente adoptou uma posição mais tranquila, apaziguadora. Seguramente porque lá, como cá, "mexer" com os grandes clubes significa comprar muitas dores de cabeça. E isso, até os mais corajosos tentam evitar.

Desde que ouvi, antes da primeira decisão, um dos advogados da Juventus dizer que "a descida à Serie B era uma punição aceitável" que comecei a desconfiar de tanta moralidade. Cá para mim, a justiça não foi feita pela Justiça, mas sim pelos próprios interessados...

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