Justiça em Marselha

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Se o Marselha mereceu não perder na Luz, também é de elementar justiça dizer que, em França, na segunda mão dos oitavos-de-final da Liga Europa, o Benfica mereceu ganhar. O futebol, que nem sempre é justo, desta vez não "traiu" a melhor equipa. Contudo, quem viu a partida, sabe que a justiça esteve muitas vezes em causa, nomeadamente durante os primeiros 45 minutos, período em que o árbitro revelou queda para algo que podemos qualificar como "distracções cirúrgicas", ignorando dois penáltis óbvios que, provavelmente, poderiam ter ajudado a inclinar, quanto antes, a balança para o lado português. Digo provavelmente porque, sem ter a sua equipa em vantagem, Cardozo podia teimar em vacilar na hora da verdade...

Se não me lembro de ter visto, esta temporada, nenhuma equipa jogar na Luz como o Marselha fez, duvido que, nos últimos tempos, algum conjunto tenha conseguido ser tão superior ao Olympique no Velódrome como o Benfica foi. Mérito dos jogadores e de Jorge Jesus que, no seu estilo habitual (sincero que, por vezes, se confunde com arrogância), avisou logo no final do primeiro duelo que a sua equipa iria marcar no terreno dos gauleses. Só se "esqueceu" de afirmar que, para além de bater o guardião contrário, o conjunto por si comandado iria assinar uma prestação de alto nível.

Falar em sorte pelo facto do golo que decidiu a eliminatória ter sido marcado em cima do final, quando já se perspectivava o prolongamento, não me parece correcto. Acertar na rede contrária é válido do primeiro ao derradeiro instante. Desta vez foi Kardec a ser feliz, a semana passada fora Ben Arfa. E, curiosamente, ambos a irem de encontro à tal justiça moral que, acrescente-se, nem sempre (nem com relativa assiduidade) aparece nos campos de futebol.

O Benfica, pelo que jogou (e pelo que não deixou o Marselha fazer), merecia ter resolvido o assunto com outra facilidade. Não o fez por culpa própria, desperdiçando ocasiões soberanas para marcar umas atrás das outras (Di Maria falhou vários golos feitos), mas também, como já referi, devido a intervenção alheia.

Todos aqueles que passam a vida a falar mal dos árbitros portugueses devem ter corado ao ver em acção um senhor esloveno que, de forma resumida, sabe tanto do ofício como provavelmente da reprodução de cágados. Bom, se calhar, não será bem assim. O homem até é capaz de saber de arbitragem, provavelmente apenas estaria a querer prestar um bom serviço a alguém, pois nunca é de mais relembrar que, nas altas esferas, a Selecção Nacional, assim como os clubes cá do burgo, contam pouco quando do outro lado estão os representantes dos países poderosos. Eu não me esqueço da nacionalidade do presidente da UEFA e, seguramente, Damir Skomina também não. A boa notícia é que este artista, que estava na lista de 54 potenciais candidatos a marcar presença na África do Sul, não passou no último corte. Ainda bem...

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