KO técnico
Quando Artur Soares Dias deu uns longos 6 minutos de descontos, apenas prolongou o imenso sofrimento dos sportinguistas. Durante toda a segunda parte a jogar em superioridade numérica, a equipa do Sporting nunca existiu. Com Postiga na frente – um avançado que precisa de envolvimento lateral, bons cruzamentos ou tabelas –, o Sporting despejou bolas sobre bolas, como se o futebol fosse apenas uma prova de sprint, onde os neurónios são quase inúteis. Neurónios – eis a palavra-chave que tem faltado esta época ao futebol do Sporting.
Sim, a crise financeira é grave e isso reflete-se no futebol produzido. Mas o contrário é ainda mais verdade: o futebol produzido esta época nunca foi de molde a atenuar qualquer crise. É doloroso ver esta prolongada agonia sportinguista. É doloroso ver a decadência de um grande clube e não estar certo de que dentro em breve os leões levantarão a cabeça e sacudirão a crise. E essa falta de esperança – em muito semelhante à que vai no país – é o que mais custa suportar.
Paulo Sérgio e a sua equipa técnica não podem continuar à margem das críticas. O plantel não é tão rico como o de Benfica e Porto, mas não é tão mau como a exibição de ontem deixa fazer crer. Há ali um discurso instalado, meio marialva, que já não leva a lado nenhum. Num primeiro momento deixei passar aquela metáfora desastrada que Paulo Sérgio fez com o boxe. O técnico diz que está farto de levar pancada, mas ganhará, pois aguenta mais. Ora, no boxe, as derrotas aos pontos chegam para quem não soca tanto quanto o adversário e não logra fazer esquivas. Para os que já não usam os neurónios sobre o ringue, mas permanecem de pé, há a derrota por KO técnico. É o caso.
A coisa está tão grave que alguém deveria parar o combate. Paulo Sérgio pode achar que ainda aguenta mais pancada. Mas, para os sportinguistas, o massacre é já insuportável. Nesta altura, Couceiro até poderia ser útil. Como técnico...
