Opinião

Pedro Adão e Silva Professor Universitário

Lançar tochas

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Estive entre os milhares de benfiquistas que celebraram a vitória do Glorioso no Vicente Calderón. Sei bem que aquela alegria imensa só foi interrompida pelo ato bárbaro de meia-dúzia de delinquentes que lançaram tochas em direção aos adeptos do Atlético de Madrid. Foi, por isso, com satisfação que assisti à reação imediata da direção do Benfica, pedindo desculpas e repudiando o comportamento "vergonhoso" de alguns adeptos.

O futebol assenta numa cultura adversativa e por vezes parece a continuação da guerra por outros meios. Mas a chave são mesmo os ‘outros meios’. É possível conciliar celebração pelo clube que seguimos e aversão aos rivais sem que isso se traduza numa violência intolerável. Há, a este propósito, um muro que precisa de ser erguido e defendido entre quem faz do futebol uma paixão animada a rivalidades e aqueles que aproveitam para transformar os estádios em espaços de delinquência.

Deixem-me recuar ainda uma semana ao lastimável programa da TVI24, em que participou o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho. É triste que um presidente de um clube se preste a um papel daqueles. Degrada a imagem da instituição que dirige. Contudo, como não sou sportinguista, deixo essa questão para os adeptos do clube de Alvalade.

Mas, como benfiquista, posso assegurar-vos que a maioria dos adeptos do Glorioso não se revê no estilo truculento e de insulto permanente de Pedro Guerra. O que me leva a questionar: pode um clube repudiar a ação de adeptos que lançam tochas nos estádios e tolerar quem ‘lança tochas’ em permanência na comunicação social, ajudando a incendiar o clima nos estádios de futebol?

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