Leão de juba caída

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Ver o Sporting perder no Restelo, tendo em conta que os leões só ganharam um dos últimos oito duelos da Liga realizados fora de Alvalade e os azuis parecem talhados para "sacar" pontos aos grandes, não surpreende. O mesmo não se pode dizer em relação à qualidade (ou ausência dela) do futebol praticado.

O Sporting, tal como o Benfica fizera na véspera, achou por bem "não jogar" a primeira parte. E depois, mesmo tendo mais posse de bola, nunca mostrou capacidade para derrubar a teia defensiva local. A quem pretendia aproximar-se do segundo lugar (e acabou em quarto, ultrapassado pelo Guimarães) exigia-se mais. Muito mais.

O problema do Sporting, porém, não se esgota numa apresentação menos conseguida, na estranha ausência de golos de Liedson na Liga (dura há 9 partidas) ou na súbita quebra de rendimento do outrora intocável Miguel Veloso. O mal é mais profundo, pois é evidente que algo não funciona (as vitóras diante equipas dos escalões inferiores disfarçaram a crise, mas não a erradicaram). E, de certeza absoluta, que não foram os futebolistas que, de um dia para o outro, deixaram de saber jogar. A questão é perceber o que está na origem deste óbvio bloqueio.

Os jogadores, salvo uma ou outra exibição mais famosa, parecem amorfos, distantes, sem capacidade para reagir às adversidades. E tendo em conta que na ronda anterior, mesmo com alguma felicidade, tinham batido o FC Porto, toda esta letargia é ainda mais difícil de entender.

Não me parece que o técnico seja o principal culpado. Mas é evidente que o seu discurso já não soa a música nos ouvidos dos futebolistas, da mesma forma que deixou de acalmar os desiludidos adeptos (a maioria dos quais, há uns meses, sonhava com a possibilidade de Bento se eternizar em Alvalade, numa espécie de Alex Ferguson "à portuguesa").

Sem descobrir a origem do problema e continuando a desperdiçar tantos pontos fora de casa, o Sporting - mais do que se atrasar na luta pelo acesso directo à Liga dos Campeões - arrisca-se a ter uma ponta final de temporada deveras conturbada.

E a esgotada desculpa da juventude do conjunto não pode continuar a servir para adiar uma análise mais global e pormenorizada. Produzir (e aproveitar) talentos nunca será uma dor de cabeça. O problema é que, após uma ou duas épocas de protagonismo, os tais jovens são vendidos para atenuar a crise financeira. Ou seja: os bons elementos formados em Alcochete tendem a nunca estar no Sporting para lá dos 22-23 anos. Logo, está sempre a ser necessário voltar atrás para reconstruir algo. O Sporting ameaça ser uma equipa sistematicamente em formação e/ou adiada...

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