Lidar com as emoções
Após o fatídico empate caseiro com o Estoril na época passada, que acabou por permitir uma reviravolta no vencedor do campeonato, Jorge Jesus salientou a importância que tem a inteligência emocional no seio de uma equipa para se lidar com os momentos decisivos. É isso mesmo que se pede a Portugal no duplo confronto com Suécia. Para ter sucesso, e carimbar o passaporte para o Brasil, há que gerir as emoções e ter os índices de competência no máximo.
Apesar dos desvios e tropeções na caminhada para o Mundial, de ter passado por momentos mais ou menos inspirados, a verdade é que o destino da Seleção Nacional depende única e exclusivamente de si. Está nas mãos dos portugueses a possibilidade de cumprir o seu principal objetivo e continuar a enriquecer a história do nosso futebol. O talento da equipa é inegável e, agora que chegou o momento de todas as decisões, além de mostrar que somos melhores e favoritos dentro de campo, é tempo de saber usar a cabeça.
Enquanto líder da equipa, Paulo Bento sabe o que está em jogo na preparação do playoff com a Suécia. Ao longo da sua carreira como jogador e treinador já passou por momentos semelhantes a este. Através da sua liderança, disciplina e motivação, terá de ser capaz de mobilizar os seus atletas e procurar influenciar um espírito positivo no grupo.
A inteligência emocional complementa as habilidades técnicas, matéria em que os nossos jogadores têm créditos reconhecidos. Talento, por si só, não significa rendimento. Daí que, por muita qualidade individual que os nossos jogadores possuam, estes só terão resultados se funcionarem como equipa, coisa que nem sempre aconteceu nesta campanha de apuramento para o Mundial’2014. Mas a Seleção já mostrou que sabe jogar como uma verdadeira equipa.
Olhando para o passado recente do futebol português em Europeus e Mundiais, as grandes prestações surgiram sempre com coletivos muito fortes, espírito de entreajuda e bons líderes no grupo. Neste aspeto, os jogadores mais experientes, como Pepe, Bruno Alves, Moutinho, Meireles e Cristiano Ronaldo, entre outros, terão também um papel preponderante na responsabilidade de fomentar a união do grupo em prol da vitória.
Portugal costuma lidar bem com os momentos de pressão. Por incrível que pareça, até costuma jogar melhor assim. E por norma, quando se joga bem, as vitórias acabam por surgir com maior naturalidade. O adversário mete respeito, mas não é um obstáculo impossível de ultrapassar. Basta fazer um jogo competente, com altos níveis de concentração e mangas arregaçadas em todos os sectores. Uma vitória segura em casa, de preferência sem sofrer golos, seria o ideal.
Mas há que ter a noção de que esta será uma eliminatória difícil que se resolverá em 180 minutos. Exigirá muito sacrifício e empenho, algo que acredito que os jogadores portugueses farão. Vão dar tudo em campo para voltar a fazer o país vibrar com mais uma presença no Mundial.
Será um duelo entre duas grandes seleções europeias e não entre dois craques mundiais. Por muito peso que Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic tenham nas suas equipas, a verdade é que cada lado tem mais armas para colocar em jogo. E pode muito bem estar aí a chave para resolver este playoff. Os jogos não se ganham sozinhos e quem tiver o melhor coletivo estará mais perto do sucesso. E para isso há que jogar com inteligência.
O CRAQUE
Inglaterra chama por ele
Tem sido um dos destaques no regresso do Belenenses à 1.ª Liga e parece estar agora a despertar a atenção dos seus compatriotas. Surpreendentemente, o guarda-redes Matt Jones tem sido falado na imprensa do seu país como possível solução para a seleção inglesa. O guardião de 27 anos faz atualmente parte de uma restrita lista de três guarda-redes ingleses que são titulares em clubes de primeira divisão. Depois de quatro épocas na 2.ª Liga, Jones está a revelar-se uma boa aposta. Um guarda-redes sereno, simples de processos e rápido entre os postes.
A JOGADA
Rentabilizar um plantel
O Bayern Munique de Pep Guardiola não joga como o seu Barcelona que ganhou tudo. E não foi por isso que a equipa alemã deixou de ser forte. Recentemente, Guardiola afirmou que “um treinador deve trabalhar para as qualidades dos jogadores, não para as suas próprias ideias”. Totalmente de acordo. Vem isto a propósito das notícias que indicam que Paulo Fonseca estará a ensaiar uma nova tática para o FC Porto que contempla dois avançados. Num plantel onde os extremos criativos escasseiam, esta estratégia poderá muito bem potenciar o papel de Quintero como o desequilibrador que tem faltado à equipa.
A DÚVIDA
Que papel para Djuricic?
No início da época, reuniam-se fortes expectativas em redor de Djuricic. Contratado por 6 milhões de euros, o jogador sérvio, com uma qualidade acima da média inegável, sendo detentor de elevada técnica e visão de jogo, era visto como o natural sucessor de Pablo Aimar no Benfica. Contudo, Djuricic ainda só disputou 7 jogos pelos encarnados e parece não encaixar no esquema de Jorge Jesus. A insatisfação do jogador já se evidenciou em alguns momentos. Tendo o Benfica várias soluções do meio-campo para frente, será que vai haver espaço para Djuricic?
