Liga de milhões
As 16 equipas da Liga gastaram um total superior a 293 milhões de euros na temporada 2012/13. Segunda contas do “Correio da Manhã”, a partir dos orçamentos dos clubes, os “três grandes” representam 82% do total (240 milhões). Contando com o Braga, o peso dos quatro clubes com maior orçamento sobe para 87% (255 milhões). As outras 12 equipas gastaram, pois, 13% do total (38,3 milhões). O campeonato não tem duas velocidades, tem dois comboios diferentes.
O “Correio da Manhã” concluiu que o Sporting foi o clube que gastou mais dinheiro por cada ponto conquistado (1,6 milhões) e o Paços de Ferreira o que gastou menos (46,3 mil euros). Os números revelam o desperdício e má gestão (empresarial e desportiva) de um lado, contra a eficácia e a boa gestão do outro. Salve Paços! Mas há outras análises.
Faz sentido que 16 clubes, muito endividados, gastem quase 300 milhões num país em sufoco económico? De onde vem este dinheiro, se muitos destes clubes não geram receitas para cobrir os custos? Que clubes dependem agora de vender vedetas no verão para salvar as finanças? Com que risco são geridos?
Mais: o Porto é campeão, logo é o grande vencedor indiscutível do ano. Mas balanceando o investimento e o retorno (que obviamente não se reduz à Liga, no que respeita aos clubes cimeiros), é preciso fazer mais que sublinhar o desnorte no Sporting. É preciso elogiar. Elogiar outra vez o Paços de Ferreira, que chegou ao terceiro lugar gastando 2,5 milhões de euros, menos que outros 11 clubes e um sexto do que gastou o Braga, que ficou em quarto lugar. Mas também o Estoril (quinto lugar, com um orçamento de 3 milhões) e o Rio Ave (sexto, com 3,4 milhões). Todos são campeões, se não de taças, da boa gestão do dinheiro. E não são treinados por nenhum Gaspar.
