Liga dos prejudicados
O Benfica não conseguiu ganhar dois jogos consecutivos na Luz e logo os seus responsáveis vieram a público relembrar os erros dos árbitros. Mais recentemente, foi a vez do Sporting acusar Olegário Benquerença do desaire no Dragão. Do Porto, com a liderança na Liga e a presença na final da Taça de Portugal assegurada, não surgem, de momento, críticas aos homens do apito, mas não é preciso recuar muito para recordar a ida de Pinto da Costa à Liga para denunciar supostas irregularidades.
Grandes, candidatos a grande, pseudo-grandes, médios e pequenos. Todos os clubes da nossa Liga, sem excepção, não se esquecem de atirar para cima dos árbitros as responsabilidades dos desaires. Curiosamente, não tenho memória de se queixarem quando ganham. Bastava, por exemplo, que Taborda ou Nilson não tivessem “engatado” na Luz e já ninguém iria referir os deslizes arbitrais. O mesmo se aplica ao Sporting. Caso o jogo das meias-finais da Taça de Portugal tivesse acabado um pouco mais cedo; ou se McCarthy cabeceasse ao lado o cruzamento de Quaresma ou se João Moutinho não falhasse a grande penalidade e, se calhar, já ninguém se lembrava de atacar o juiz.
Até o Vitória de Guimarães, que teve azar ao sofrer um golo no final do prolongamento em Setúbal, está zangado com a Federação por causa do escasso intervalo entre jogos. Se Auri não tivesse marcado ao cair do pano ou se Nilson lograsse melhor desempenho que o compatriota Rubinho na “lotaria” dos penáltis certamente que não se lembravam quando tinham jogado antes ou com quem iriam actuar depois...
Num Liga competitiva (anos após ano, a luta pelo título, pelo acesso à Europa ou simplesmente pela permanência são decididas palmo a palmo), faz falta mais bom senso. Ignorar os erros próprios ou o mérito dos adversários é um mal generalizado. Porque será que ninguém admite que, de vez a vez, também é beneficiado? Porque será que os queixumes só surgem aquando de resultados negativos?
Não quero com isto branquear as prestações infelizes de alguns árbitros. Existem erros e graves. E o futebol seria bem melhor se os equívocos fossem cada vez menos. Mas, está na altura de trabalhar mais e falar menos. Caso contrário, os campeões serão sempre conotados com o tal sistema que dizem manobrar na sombra. E isso, garantidamente, não é bem assim. Se fosse, não seria possível o FC Porto ganhar uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões; o Sporting ter chegado a uma final europeia ou o Benfica estar agora em alta na “Champions”.
Fulcral é separar as águas. Quem não tem qualidade não deve arbitrar. E quem considera que os seus erros são desculpáveis só porque fulano fez mais e maiores disparates também deve procurar outra área de acção. O “Circo das Celebridades” poderá ser uma boa aposta...
