Limpinho ou... sujinho?

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Limpinho ou... sujinho?
Limpinho ou... sujinho?

Não custava muito reconhecer que Capela errou (muito) no Benfica-Sporting. Mas custa muito mais entender a facilidade com que o FC Porto (de Vítor Pereira) tenta expiar os seus pecados... capitais...

Em que ficamos: este campeonato é “limpinho, limpinho” (expressão de Jorge Jesus que vai ficar na memória tribal cá do burgo) ou é... “sujinho, sujinho”, como – em resposta ao seu homólogo do Benfica – Vítor Pereira veio sublinhar? Os protagonistas estão a confundir três coisas: uma arbitragem muito negativa de João Capela no recente dérbi da Luz; o “deve e o haver” histórico da contabilidade de prejuízos e benefícios relacionados com arbitragens; e aquilo que os dois candidatos ao título têm exibido ao longo da época. O Benfica, com indiscutíveis lesões de constituição do seu plantel, tem o indiscutível mérito de se ter superado; o FC Porto (mesmo num plano bastante aceitável) é vítima de si próprio e de erros que comprometem toda a estrutura.

Aépoca ainda não chegou ao fim e as conclusões só se podem tirar no final da terceira semana do mês em curso, depois da final da Taça de Portugal. O Benfica, para convencer o país futebolístico e para calar algumas vozes mais verrinosas, não tem apenas de ganhar o que há a conquistar no plano nacional (o Campeonato e a Taça), mas principalmente demonstrar nos jogos com Estoril, FC Porto e Moreirense, e depois com o V. Guimarães, que é, no plano desportivo, a melhor equipa de 2012/13. A conquista da Liga Europa será sempre achada como a cereja no topo do bolo.

Neste contexto, independentemente do que significar o FC Porto-Benfica para a atribuição do título e definição da classificação, o clássico do Dragão será sempre observado como uma espécie de tira-teimas em relação à qualidade de cada um dos contendores.

OBenfica também tem essa responsabilidade: fazer um “grande jogo” no Dragão para calar todas as bocas, sobretudo daqueles que não têm autoridade moral para falar. Mas... atenção: ninguém deve merecer cobertura para a batotice só porque já se foi vítima de batota!

Com efeito, há muitos agentes branqueadores à solta, e se houve óbvios exageros na contabilidade dos penáltis não assinalados ao FC Porto durante o campeonato, não há a mais pequena hipótese de credibilização das queixas portistas, uma vez que – bem pelo contrário – nunca os responsáveis azuis e brancos, a começar por Pinto da Costa, fizeram alguma coisa de nobre e positivo (para melhorar o sector da arbitragem) que merecesse o aplauso do país (a parte que resta, não cartelizada, a que não se deixa iludir com bombas de intoxicação descarregadas, irresponsavelmente, sobre a comunicação social e as redes sociais).

Parece-me indiscutível, no entanto, que o Benfica deve usar a sua força social para impor reformas a sério no sector da arbitragem e não para replicar fórmulas e expedientes que condenou no passado.

Algo mudou, este ano, para contrariar os “miasmas do sistema”, mas é preciso muito mais. Neste seu combate à hegemonia do FC Porto, Luís Filipe Vieira tem a espinhosa tarefa de provar que há um outro caminho no futebol português que passa por reformas a fundo no sector da arbitragem, diferente daquele que resulta de uma mera troca, no jogo (sinuoso) das influências. É que nem todos pertencem ao “país dos tolinhos”...

JARDIM DAS ESTRELAS

Jorge Jesus e a revolução

Estoril, V. Guimarães e Moreirense ainda podem “estragar a festa” (mais o FC Porto, claro... e noutro plano o próprio Chelsea) mas o Benfica está a viver um “grande momento”, com a forte possibilidade de vencer “2 em 3” (2 títulos em 3) ou mesmo “3 em 3”, se mantiver o “estádio de superação”...

Diversos protagonistas poderiam ser salientados neste final de época, mas o destaque maior tem de ir para o treinador do Benfica, que transforma fraquezas em forças e transforma, principalmente, jogadores e o seu rendimento.

Jorge Jesus não merecia que estivessem à espera do(s) título(s) para lhe reconhecerem o devido valor.

TEMPO EXTRA

Quinta-feira europeia na Luz... Quinta-feira de lançamento do Nacional-FC Porto, a cerca de 48 horas do jogo no Funchal, com Vítor Pereira em desenfreado ataque aos deméritos desportivos do Benfica neste campeonato, depois de João Gabriel ter vindo a público fazer a contabilidade dos penáltis não assinalados contra o actual campeão nacional... Vítor Pereira bem tentou dizer que estava ali livre de compromissos, a falar pela sua cabeça... Vítor Pereira sabe que não é assim: foi colocado naquele lugar para ser usado até à exaustão perante o incómodo (mal disfarçado) resultante da “deserção” de André Villas-Boas. Foi lançado às feras, sob a clássica defesa do exército, não em nome da sua (reconhecida) competência técnica, mas como instrumento de compensação de uma situação para a qual o FC Porto não se havia preparado. O resto sabe-se o que é: vícios antigos, impreparação e incapacidade para reconhecer erros de monta...

Algumas das “virgens” (do futebol português) que se dizem ofendidas têm moral para atirar pedras para o telhado do vizinho?!...

O CACTO

Lannoy - o instrumento

A UEFA, de Platini e Villar, em vez de concorrer para um futebol sem zonas nebulosas, fecha-se no compartimento dos seus códigos pretensa e falsamente morais. O árbitro francês Stéphane Lannoy não poderia ter sido mais habilidoso. Primeiro, num claro favorecimento da equipa turca. Depois, na parte final, impotente para travar os efeitos da determinada e inspirada exibição do Benfica, deu ares... pró-lusos. O rosto da instrumentalização. Causa algum espanto que Platini e os seus “compagnons de route” não queiram novas tecnologias e um novo sistema de detecção dos erros dos árbitros? O que se passa em Portugal é apenas e afinal uma extensão das manobras que ocorrem atrás da cortina manipulada pela UEFA. A começar nas nomeações.

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