Livros de escárnio e mal-dizer

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Confesso que não tenho andado muito atento às notícias mais recentes envolvendo Carolina Salgado, figura que, seguramente, jamais sonhou ser conhecida em todo o País; editar livros; ocupar as primeiras páginas de revistas e jornais ou marcar presença em diversos acontecimentos sociais. Mas, convenhamos, isto é o que acontece a quem, durante muito tempo, surge ao lado de alguém como Pinto da Costa e, de repente, vem para a opinião pública dizer "cobras e lagartos" do ex-amado. Mesmo que não queira... transforma-se em celebridade. E, neste caso concreto, creio não errar quando afirmo que a senhora quis mesmo ser famosa cá na terra. Caso contrário, não teria sido peça central em "filmes" tristes, como aquele na Luz, quando apareceu, no meio dos "Super Dragões", revelando uma noção distorcida daquilo que deve ser o comportamento de alguém que julga merecer credibilidade.

Não me compete a mim avaliar se o que a senhora diz em relação ao presidente do FC Porto é verdade ou mentira. Ainda assim, admito que no seu livro - que li apenas e só por imperativos profissionais - constem alguns relatos verdadeiros. Os de índole pessoal não me interessam minimamente; os outros, os que podem encerrar atropelos à verdade desportiva e não só, devem ser investigados por quem de direito.

Mas, no meio de toda esta embrulhada, não tenho dúvidas de uma coisa: a senhora agiu para se vingar de Pinto da Costa. Deve ter tido também a intenção de ganhar algum dinheiro, mas o mais importante era deixar o líder portista em dificuldades. Segundo consta, a co-autora do livro terá denunciado isso mesmo às autoridades. Mas, sinceramente, era preciso dizê-lo? Não era óbvio?

Carolina Salgado pode não ter culpa de alguns episódios menos dignos do seu passado, mas jamais poderá convencer-nos que só reparou nas pretensas ilegalidades de Pinto da Costa quando este a dispensou. Enquanto a relação amorosa decorria sem incidentes, todas as manobras que hoje lhe parecem indignas eram consideradas normais? Enfim...

Mas, se esta súbita figura pública não me merece grande credibilidade, também tenho de admitir que não gostei de ver Pinto da Costa - o dirigente que mais e melhor tem feito pelo seu clube nas últimas décadas - responder na mesma moeda. Afirmar, através de mais um livro de escárnio e mal-dizer, que transformou "uma empregada de alterne em escritora" não é de bom tom. Ainda por cima isto é dito por quem, recordemos, também transformou a senhora Carolina... em sua senhora!

A vingança tem motivado a forma de estar deste ex-casal, pelo que me parece adequado pensar que, pelos vistos, estavam bem um para o outro... Tenho pena de os ver separados!

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