Lopeteguismo tomou o FC Porto

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Lopeteguismo tomou o FC Porto
Lopeteguismo tomou o FC Porto

O FC Porto ainda pode ganhar o campeonato? Pode. É preciso, contudo, que seja muito competente e o Benfica muito incompetente. Nenhum dos candidatos está sólido, mas – mesmo considerando os imponderáveis do futebol – o título parece estar entregue. O Benfica tem tudo a seu favor para não desperdiçar a vantagem que adregou: 3 pontos pode não parecer muito, e na verdade é uma diferença muito pequena, mas o Benfica só tem a final da Taça da Liga para realizar para além dos 8 jogos do campeonato, 5 dos quais na Luz; joga em casa com o seu maior rival, onde vem manifestando a principal força; tem mais golos marcados; tem maior diferença de golos; e não tem de desperdiçar energias com compromissos europeus, como é o caso do FC Porto. E, "last but not least", esta época o Benfica não se pode queixar das arbitragens, muito generosas em caso de dúvida.

É certo, igualmente, que o FC Porto pode dar um grande pontapé na lógica e acabar a época em êxtase, se eliminar o Bayern Munique da Champions e golear o Benfica na Luz. Temos de convir, porém, que nem o portismo mais otimista considera esta possibilidade algo provável, admitindo "apenas" que os encarnados possam ter um colapso igual ao que tiveram em Paços de Ferreira e Vila do Conde, perante adversários da mesma igualha, mesmo que o grau de confiança na sua própria equipa não esteja num ponto muito alto.

Em futebol, os cenários estão sempre em aberto, desde que a matemática o consinta. Neste plano há factos inelutáveis: o FC Porto já deixou fugir a Taça de Portugal (eliminado pelo Sporting), o que acontece pela quarta época consecutiva, e volta a perder a hipótese de conquistar a Taça da Liga, cujo troféu nunca ganhou, escarnecendo dele numa primeira fase para depois não revelar capacidade para o conquistar, quando decidiu fazê-lo.

Começa, pois, a tipificar-se um novo comportamento desportivo do FC Porto: se esta temporada não ganharem nem a Liga nem a Champions, os dragões repetem a segunda época futebolística em branco. O facto relevante é que seria a primeira vez que isso aconteceria no longo consulado de Pinto da Costa.

Depois de várias épocas de facilidades e em "piloto automático", face à inoperância revelada em 2013/14, que adensou os sinais preocupantes de "fim de regime", Pinto da Costa decidiu impor uma pausa à "hibernação" e contratar Lopetegui. Pinto da Costa não contratou apenas um treinador. Contratou uma estratégia, estabelecendo um compromisso não apenas com esse treinador mas tudo o que ele representa. E o técnico basco representa também um grau de compromisso com os jogadores que trouxe para Portugal, jogadores maioritariamente da sua "escola" e, directa ou indirectamente, da sua "agência".

Quer dizer: cientes de que nem o presidente do FC Porto nem a SAD do FC Porto, que são na prática a mesma entidade, davam resposta (como no passado) às exigências do futebol profissional, numa manifestação de indulgência pouco comum nas hordas portistas, a solução foi chamar Lopetegui e colocar-lhe nas mãos uma responsabilidade nunca vista, no que concerne às relações estabelecidas entre o FC Porto e os treinadores de futebol. Assim nasceu o "lopeteguismo". Uma responsabilidade tremenda, um investimento tremendo, uma delegação de poderes colossal. Tudo em nome de um objectivo: conquistar o título de campeão nacional e impedir que o Benfica consiga algo que não alcançava desde a longínqua temporada de 1983/84, quando Eriksson — sob a presidência de Fernando Martins — revalidava o título de campeão nacional obtido em 1982/83.

A questão é que, não obstante algumas qualidades reveladas pelo técnico basco, já falhou em momentos cruciais: deixou fugir dois troféus e, mesmo tendo recrutado o melhor plantel do futebol português, a gestão da equipa e o seu rendimento desportivo no campo deixam muito a desejar. A questão da juventude do plantel não pode servir de desculpa. Foi uma opção. Foi uma opção de Lopetegui e foi uma opção da SAD do FC Porto e do seu presidente.

Toda a gente sabe que estes jogadores do FC Porto não foram contratados para ficarem muito tempo no Porto. O ambiente do futebol profissional nem sequer isso consente. Foram contratados para darem corpo a uma "missão de combate". Um "grupo de elite" escolhido com o propósito de não permitir a "invasão" do "inimigo principal". Se falharem, falham todos: dirigentes, treinador, jogadores. Mas acima de tudo falha Pinto da Costa. O "lopeteguismo" teve a sua bênção e, agora, corre o risco de ficar refém dele. É questão, pois, para perguntar: em que estado fica o FC Porto?…

O cacto - Árbitros e APAF

Os dirigentes e treinadores queixam-se das arbitragens por dá cá aquela palha. Acontece com (quase) todos e, por isso, caem no descrédito muito facilmente, como foi agora o caso de Lopetegui, a seguir ao jogo do Funchal. A equipa não joga nada? Culpados são os árbitros! O discurso é igual um pouco por todo o lado, porque na verdade responsabilizar a arbitragem de erros próprios é o mais fácil. Na entrevista recentemente concedida ao PC, Lopetegui disse uma coisa com a qual todas as pessoas honestas concordam: "Os árbitros não podem decidir os campeonatos!" Fê-lo em termos equilibrados, tentando contextualizar a afirmação. A APAF (através de Fontelas Gomes) sentiu-se atingida na sua honorabilidade e pediu um "castigo exemplar" para Lopetegui. É preciso, de facto, defender o futebol das injúrias e das suspeições e, por isso, endurecer as penas no âmbito do regulamento disciplinar faz parte do caminho. Acontece, porém, que a corporação funciona como tal quando estão em causa "direitos adquiridos". Mas, independentemente do princípio (mais) punitivo, fica por saber a razão pela qual a APAF não pediu "castigos exemplares" para outras situações bem mais graves. Realmente, as coisas estão a mudar no futebol português…

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