Má sorte ser Zequinha

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Fui dos muitos que não resisti a criticar a atitude de Zequinha no Mundial Sub-20. Cada vez que me lembro de ver o futebolista português a sacar o cartão vermelho da mão do árbitro não sei se devo rir, chorar ou chorar a rir. Mas, depois da prestação de Scolari no último embate da Selecção Nacional, confesso ter sentido pena do tal Zequinha que, segundo li, não precisou de muito tempo para voltar a fazer das suas num embate da Liga Vitalis.

Independentemente do castigo internacional, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi célere ao anunciar a suspensão, por 1 ano, de Zequinha. Por outras palavras, a entidade que gere o futebol no País entendeu que a atitude do rapaz valia, por si só, 12 meses de proibição de representar as equipas nacionais. Não sei se o castigo é justo ou injusto, pesado ou leve. Sei que é a sanção que os responsáveis consideraram ideal para quem, manifestamente, expôs o nome de Portugal ao ridículo.

Meses volvidos, o soco (ou a tentativa) de Scolari a Dragutinovic não motivou uma reacção tão rápida da FPF. Bem pelo contrário. A estratégia passou por esperar pela decisão da UEFA. Pelo meio, é verdade, alguém deve ter explicado ao seleccionador que era capaz de ser boa ideia assumir o erro e deixar de insistir numa tese tão descabida quanto insultuosa para todos os que, em Alvalade ou via televisão, testemunharam o sucedido. Nem tudo foi mau: sempre deu para ver o técnico a assumir que tinha errado e que era normal ser criticado por isso.

Acredito, sinceramente, que o sérvio tenha ofendido Scolari. Aceito também que a tensão própria do momento tenha levado o treinador a perder as estribeiras, a exemplo do que lhe aconteceu, no Brasil, outras vezes. Mas, sejamos factuais, a atitude é mais ou menos gravosa que a de Zequinha no Canadá? Para mim, tentar ou bater em alguém – por pouco que seja – será sempre mais grave que tirar um cartão da mão de um árbitro. E, já agora, repetindo que a acção do avançado foi simplesmente patética, quero acrescentar que também ele estava nervoso e descontrolado. Afinal de contas, a sua equipa preparava-se para sair, sem glória, de um Mundial e, segundos antes, tinha visto um companheiro receber ordem de expulsão. Se Scolari, depois de um erro tão grande, tem atenuantes, o Zequinha também as tinha.

Mas, para que não restem dúvidas, assumo ser partidário da continuidade de Scolari no cargo. Pelo menos até ao final da fase de qualificação. Foram as suas opções (técnicas e tácticas), aliadas ao célebre discurso que considerava positivos os empates fora, que nos deixaram sem margem de erro. Ele, melhor que ninguém, é o homem indicado para reverter o quadro ou (e nem quero equacionar essa hipótese) assumir o descalabro.

Ainda assim, gostava de saber como é que o brasileiro irá gerir um hipotético caso de indisciplina num treino ou num jogo. Terá Scolari moral para criticar quem, num momento de tensão, perca o controlo? Duvido!

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