Madrid te mata

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Ronaldo passa por uma seca extrema de golos. Algo de tão prolongado que não tem equivalente na sua já longa carreira, desde que passou a disputar o lugar de melhor do Mundo. Mas afinal o que se passa com este craque global? No Real Madrid, como neste mesmo espaço se sublinhou em tempo, o elo afetivo com os adeptos quebrou-se, naquela desastrada festa de anos, horas depois de uma grossa humilhação aos pés do rival da cidade. Desde então, Ronaldo marcou muitos golos no Real. Mas nenhum dos golos trouxe títulos. E a memória da festa em dia de vergonha sangra como chaga aberta.

Depois chegou Benítez. Um treinador antifutebol. A forma de jogar do Real Madrid tirou a estrela portuguesa do centro do sistema. Benítez, frio e calculista, pode querer transformar Ronaldo num mero planeta a girar em torno de Bale e James. O treinador sente o peso excessivo de Ronaldo e quer dividir o poder por craques mais disponíveis. É em Bale e James que está o futuro, não em Ronaldo, que já fez 30 anos. Bale tem menos quatro; e James, menos seis.

A qualquer momento, Ronaldo dará uma sapatada no marasmo, isso é uma certeza fundada nos números das últimas épocas e na têmpera do craque português. Mas a crise é profunda, como pôde ver-se no jogo da Seleção da Albânia. Ronaldo está descrente de si. Não lê bem o jogo coletivo. Falha lances simples. Os problemas do Real, clube imperial dos castelhanos, são-nos indiferentes, mas Portugal precisa do melhor Ronaldo. Que, é nítido, não está feliz em Madrid.

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