Magia branca
É um bocado irritante o presidente do Benfica meter o nariz onde não é chamado: nas contas do Sporting. Luís Filipe Vieira há-de ter tido um objetivo qualquer em atirar para o ar a carapuça que o Sporting logo enfiou. Mas rivalidade não deve ter sido. As contas do Sporting não são rivais das do Benfica. Mesmo estando ambos “tecnicamente falidos”.
O balanço é uma fotografia da situação patrimonial de uma empresa num determinado momento. No dia 30 de junho de 2012, tanto o Benfica como o Sporting tinham capitais próprios negativos. Mas enquanto no Sporting a situação é permanente, pelo menos até haver um aumento de capital pelo investidor sebastiânico de que Godinho Lopes fala, no Benfica a venda do Witsel e de Javi García já terá dado conta do recado, diz o comunicado da SAD. Isso significa que a receita dessas vendas há-de servir para pagar dívidas ao banco, reduzindo portanto o passivo do Benfica.
O Benfica tem de facto o maior passivo da história, depois de ter aumentado os seus prejuízos no ano passado – o mesmo ano em que alcançou também as maiores receitas de sempre, de 91 milhões de euros, mais do dobro da SAD do Sporting. Hoje, o balanço do clube da Luz é muito maior e, desde que se mantenha na Champions e continue a conseguir fazer vendas milionárias, tem a sua sustentabilidade garantida. Algo que antes de Vieira, quando (palavras suas) se fazia “magia”, não acontecia. O Benfica conseguiu, pois, imitar o modelo do FC Porto. O Sporting não e está refém de expectativas muito altas.
As opiniões de Vieira são, portanto, impiedosas, pois o Sporting está a percorrer um longo mas finíssimo fio da navalha. Se quer andar à tareia, Vieira tem de escolher alguém do seu tamanho. É cruel dizê-lo mas, hoje, o Sporting não o é.
