Mais do mesmo... para não variar

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Não sou de Setúbal, nunca lá vivi ou trabalhei (excepção feita a incursões pontuais para reportar treinos ou jogos de futebol) e jamais tive qualquer ligação afectiva ao Vitória local. Ainda assim, para mim, trata-se de um clube histórico, com um passado digno. Por outras palavras, não sendo um emblema habituado a grandes triunfos, parece-me elementar que é um clube importante do desporto nacional, com destaque para o futebol. O Vitória sadino é, tal como mais uma dúzia de outras agremiações lusas, uma referência, sendo justo acrescentar que ao longo dos anos tem complementado (ou mesmo substituído) os deveres da autarquia e/ou do Estado.

Mas, sejamos realistas, o actual Vitória não é exemplo para ninguém. E, claro, não estou a abordar a questão desportiva, pois uma eventual descida ao escalão secundário talvez seja, de momento, o problema menos grave com que o clube se depara. Muito pior é a crise financeira; a ausência de projectos credíveis para recuperar o clube; o divórcio evidente entre a cidade e a colectividade; as inúmeras querelas envolvendo jogadores, técnicos e dirigentes; as opções erradas de vários protagonistas; os comportamentos duvidosos de quem devia dar bons exemplos; as denúncias constantes de situações de fome envolvendo futebolistas ou andebolistas, etc, etc...

Fazer um levantamento do noticiário recente do Vitória é uma tarefa triste e dolorosa que deve envergonhar os adeptos. O clube não pode sobreviver muito mais nas actuais condições. E procurar soluções que possibilitem a angariação de uns quantos euros para as despesas correntes não resolve nada. Apenas adia o problema central. Mesmo que isto custe a quem sofre pelo Vitória, se calhar chegou a hora de dar um passo atrás para, a médio prazo, poder dar dois à frente.

No meio de tanta embrulhada, assumo que tenho tremenda dificuldade em perceber como é que ainda existem profissionais que arriscam assinar contratos com um clube sistematicamente à deriva. Conseguir, nos últimos anos, chegar à final da Taça de Portugal, vencer essa prova e participar nas competições europeias é outro milagre que me custa entender. Honra a quem esteve envolvido nesses actos tão inesperados quanto sensacionais. Mas, por muito que isso custe aos vitorianos mais ferrenhos, chegou o momento de parar para pensar e fazer opções lógicas. Antes que seja demasiado tarde. Basta recordar o que aconteceu a outros clubes para se perceber que não se pode passar a vida a dar pontapés para o ar...

PS 1 - Grande confusão em torno do Académica-Sporting devido ao concerto de George Michael menos de 24 horas antes da partida. É uma situação ideal? Não! Correm-se sérios riscos de o relvado ficar danificado? Talvez! É isso um problema grave? Não me parece, pois se o terreno estiver impraticável, o árbitro poderá inviabilizar a realização da partida. Mas, tendo em conta que o Sporting jogou diversas vezes, em Alvalade, num piso repleto de areia e nunca isso ditou um adiamento, creio que também não será agora que isso irá acontecer. Importante é que o assunto já serviu para os dois emblemas nos presentearem com umas quantas declarações evitáveis. O costume...

PS 2 - Ainda não foi desta que a Câmara de Lisboa se pronunciou sobre o loteamento dos terrenos do Sporting. O clube não se conforma; os adeptos "atiram-se" aos políticos. Tudo normal, digo eu. As ligações entre o futebol e a política só são regulares quando acontecem vitórias ou nos dias em que uns quantos senhores preferem as poltronas dos camarotes aos sofás de casa.

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