Opinião

Franclim Carvalho Treinador do Botafogo

Marrocos ou Uruguai: as possíveis surpresas

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Ter a oportunidade de trabalhar em vários pontos do planeta é, em muitas situações, uma vantagem. No caso do futebol, permite-nos perceber melhor as especificidades do jogo em países tão distintos como Portugal (claro), Brasil, Qatar ou Coreia do Sul. Gosto de olhar para um jogador, um treinador, uma equipa e fazer sempre uma relação direta com o seu próprio contexto e tentar entender porque adotam determinada ideia ou determinado processo. Há sempre, em qualquer escolha, um motivo que está relacionado com o sítio onde nascemos e crescemos.

O futebol é das coisas mais universais e apaixonantes que existem, mas é fundamental respeitar as especificidades que existem em cada país. De outra forma será sempre difícil entender o choque de propostas (de jogo) e realidades que existem quando 48 seleções/nações se enfrentam na mesma competição.

Acredito que estamos todos muito curiosos para ver o que vai acontecer neste Campeonato do Mundo. É verdade que é sempre assim, a cada quatro anos, mas desta vez ainda mais. Talvez porque nunca tivemos uma prova com tantos participantes e também porque, agora, há seleções estreantes, que conhecemos mal, e que podem trazer incerteza e imprevisibilidade nalguns grupos.

O habitual, até 2022 era termos um Campeonato do Mundo com 64 jogos – incluindo aquele sempre desinteressante duelo para saber quem fica em 3.º e 4.º lugar. A partir de agora, de acordo com o novo modelo da competição, vamos passar a ter 104. São mais 40 jogos!

É difícil prever o impacto que poderá ter esta alteração na qualidade da prova, mas acredito que, neste Mundial 2026, o grande desafio estará na capacidade de adaptação. Porque estamos a falar de competir em três países, com diferentes contextos ambientais. É preciso estar pronto para altitude, calor, frio e variação, também, de humidade. Pela minha experiência no Brasil, sei bem o quão difícil é esta diversidade climática. Quem melhor se adaptar pode tirar uma vantagem importante.

Principais candidatos à vitória? Por ordem alfabética: Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França e Portugal. De todas estas seleções, só uma ainda não foi campeã do Mundo. Quem sabe se essa “fome de títulos” também não poderá ser decisiva...

Em relação às equipas que podem surpreender e, contra a maioria das previsões, ir muito longe na competição, aposto em duas: Marrocos e Uruguai. A seleção africana já surpreendeu em 2022 e vejo-a com capacidade para voltar a ter uma grande prestação. O Uruguai, esse, tem um selecionador muito experiente (Bielsa) e uma geração que atingiu um estado pleno de maturação.

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