Massacrante

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A primeira meia hora do jogo do Benfica ontem em Paris foi sufocante. A equipa de Jorge Jesus foi banalizada como se em vez dela estivesse no Parque dos Príncipes um clube com as possibilidades financeiras de um Belenenses. E daí, o melhor é mudar a comparação, o Belenenses empatou na Luz…

Chegará o tempo em que a permanência de Jorge Jesus à frente da equipa de futebol do Benfica será mais do que conversa de bancada. Jesus é (mesmo) excelente treinador, mas não ganha competições – e não pode queixar-se de falta de apoio, de tolerância e até de dinheiro. Ainda este ano teve tudo o que quis e quem quis, Luís Filipe Vieira passou os cheques. A verdade é que ao péssimo final da época passada se seguiu um arranque titubeante. Ontem, frente ao PSG, foi meia hora a tremer como varas verdes. E desta vez não foi o árbitro.

A Liga dos Campeões não é uma competição qualquer. Do ponto de vista financeiro, é a que mais interessa em todo o ano. Ganhar ou perder jogos pode ser a diferença entre um ano de luxo e um ano de lixo. E de uma equipa que tinha a ambição como a que Jorge Jesus tinha para o Benfica não se espera desistência, exige-se resistência. Ontem foi um banho de bola. A segunda parte foi melhor, mas o PSG já tinha tirado o pé do acelerador.

O Benfica tem um grande treinador que não ganha e um punhado de grandes jogadores que somam um belo plantel mas não têm feito uma equipa. Esta temporada, o Porto está coeso como sempre, o Sporting está entusiasmante como nunca e o clube da Luz parece amaldiçoado pela falta de chama. A situação não é de hoje, mas é problemática. Talvez seja uma “questão psiquiátrica”, como analisava ontem à noite Manuel José. Ou seja, falta de motivação, de entrosamento e de espírito ganhador.

PS: As vitórias internacionais do tenista João Sousa e do ciclista Rui Costa são extraordinárias e não é possível esgotar o elogio e a celebração, a que me junto alguns dias depois. Mas junto-me também ao orgulho que este jornal assumiu nesse dia por apostar diariamente na valorização dos demais desportos além do futebol. Fica, também, o elogio à equipa do Record.

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