Matic e Enzo

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Matic e Enzo
Matic e Enzo

O jogo de amanhã pode ser o último de Jesus no Benfica? Pode. O ambiente está a ficar insuportável em torno da equipa. Os jogadores estão tristes, sem força nem chama interiores. Ninguém melhor do que os jogadores consegue sentir os erros do técnico e restante estrutura. Já escrevemos aqui que a reintegração de Cardozo foi um pontapé no código de disciplina que tem de reger um grupo. Mas também na colocação das peças sobre a relva há equívocos inexplicáveis.

Na época passada, ao ficar sem Witsel e Javi García, Jesus conseguiu duas adaptações extraordinárias. Matic passou a jogar na posição de trinco, tendo assim encontrado os seus terrenos naturais. Enzo Pérez saiu das alas e tornou-se um médio-centro agressivo, com grande capacidade de luta sobre a bola e de aceleração do jogo. A partir de meio da época passada, Matic e Enzo já jogavam um com o outro de olhos fechados. Na nova campanha do Benfica, onde estão estes dois jogadores? Matic anda perdido com um médio nas costas e Enzo foi devolvido às avenidas das alas.

Será que Jesus acha que os jogadores são autómatos a quem muda um chip e zás – agora és ala de novo! E zás – lembras-te de te ter dito que o teu código de acesso a uma grande carreira era a posição de trinco? Esquece e joga lá mais à frente.

Com o seu espírito inventivo, que não respeita a humana condição dos comandados, Jesus destruiu o centro de um meio-campo que o levou à discussão dos vários títulos perdidos na última curva. Desta vez, o Benfica não vendeu as principais peças no mercado de verão, mas Jesus quebrou a coluna à equipa e tratou de desvalorizar ativos numa infantil crise de identidade.

Depois do empate com o Belenenses e da humilhação de Paris, será muito curioso o anúncio da equipa que Jesus vai lançar frente ao Estoril. Se o técnico não fizer regressar a estabilidade tática ao seu xadrez, dificilmente reconquistará a confiança do jogadores. Sem essa confiança, dará um passo decisivo para o abismo. Se Jesus tiver a humildade de reconhecer que tem andado a inventar e devolver a estabilidade ao seu meio-campo, o jogo do Estoril pode marcar a viragem do Benfica para uma boa época. Embora já dificilmente seja crível este cenário.

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