Medo do treze?
Todos os anos são “decisivos”. Todos os anos são sempre “difíceis” e “duros”. Todos os anos são para “vencer com esperança”. Ouvimos essa lengalenga há anos.
São tantos, esses anos, que quando a ouvimos já encostamos as costas à cadeira sem grandes sobressaltos. E no futebol, como será? “Decisivo”, claro. E “difícil” e “duro”.
O Porto e Benfica disputam campeonatos, o Sporting disputa um futuro compatível com o passado, muitos clubes disputam apenas a subsistência. A recessão trará um maior agravamento das receitas, com menos dinheiro gasto em bilhetes desportivos e com valores mais baixos de patrocínios de empresas.
Por outro lado, a escassez de crédito continua, tornando a ultrapassagem de dificuldades de tesouraria por muitos clubes ainda mais difícil. Há clubes que estão ameaçados. Alguns, como o Boavista (e o Sporting), tentarão renegociar as suas dívidas a credores. Mas outros não são sustentáveis nem mesmo se não devessem um só cêntimo à banca.
A venda de jogadores continua a ser um escape. O valor ridículo a que o Sporting acaba de vender Carriço é disso sinal: mais do que o “encaixe”, o clube parece ter querido livrar-se de um salário, o que aliás poderá levar Izmailov para o Dragão. Mas, sobretudo, é no exterior que estão muitas receitas, não só na venda de jogadores mas também nas competições. O ano que agora começa é assim mais que “decisivo” e “difícil”. É um ano que será de tudo ou nada para vários clubes. Vai uma aposta?
PS: De parabéns está a Federação pelo acordo com o Governo sobre dívidas fiscais. Quem tem dinheiro fala mais alto. Totonegócio fechado.
