Mendes resolve

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Mendes resolve
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A expulsão de Queiroz da Seleção foi um erro para corrigir outro erro: a sua contratação. Mas esse desprezível golpe palaciano já está comentado e documentado: só teve vencidos. Vamos à contratação de Paulo Bento, que teve vários vencedores: o novo selecionador, de regresso ao topo, e Gilberto Madaíl, que o impôs. Mas o grande vencedor não é um nem é o outro – e nem sequer apareceu: é Jorge Mendes.

No último mês, várias notícias deram conta de duas forças em confronto na escolha do selecionador: Joaquim Oliveira quereria Humberto Coelho; Madaíl preferia Paulo Bento. Houve manobras de influência. Nos bastidores, Jorge Mendes ganhou em toda a linha.

Depois de Barbosa e de Veiga, é Mendes quem hoje reina. Mas ele não é apenas um hábil negociante, é um parceiro dos jogadores e um talismã para os clubes. Há dois anos, zangou-se com o FC Porto. Mudou o centro do poder para Lisboa. No ano passado, ajudou a construir a equipa do Benfica que seria campeã, fez contratações promissoras e vendas milionárias. Este ano, ganhou um controlo total sobre o Sporting, que investiu 20 milhões em jogadores seus – com resultados até aqui dececionantes. Agora, depois da influência hegemónica nos clubes de Lisboa, concretizou o ascendente sobre a Federação, onde os jogadores selecionados já são esmagadoramente seus.

Jorge Mendes não é um comissionista manhoso, é um homem de negócios. Representa Mourinho, Ronaldo ou Bento, com quem estabelece relações profundas. Mas esta mudança de Paulo Bento não é apenas uma transação, é uma transição na sua influência. Ele é hoje a figura central do futebol, das equipas, dos jogadores, de quem ganha e de quem perde. Jorge Mendes tornou-se o homem mais poderoso da “economia” do futebol português. Ou seja, do futebol português.

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