Meninos malcriados

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Tenho a maior das admirações pela qualidade do trabalho e pelo "low profile" de Jesualdo Ferreira, e gosto de ver o Sp. Braga em quarto lugar como consequência do labor de um dos mais sérios e capazes treinadores portugueses. Não creio, com a mesma frontalidade o digo, que a arbitragem de Carlos Xistra tenha prejudicado os "arsenalistas", pois fosse o juiz de campo mais severo e Barroso teria ido para as cabinas logo após a violenta entrada que quase acabou com a época de Custódio. Também não sei, é verdade, se o "capitão" bracarense terá utilizado com Xistra uma linguagem assim tão injuriosa que justificasse o vermelho directo e a ida para o banho. Pelas imagens seguintes à cena da expulsão fiquei até com a sensação de que Barroso é um moço de fina educação, incapaz de proferir palavreado menos respeitoso. Mas quando Maurício é forçado a deixar o campo pelo mesmo motivo, então talvez aí tenha falhado a missão pedagógica de Jesualdo em Braga. Ter dois jogadores expulsos e ter perdido, quem sabe, o desafio por haver na sua equipa especialistas em palavrões é inaceitável. O combate à javardice é o primeiro grau da luta contra a violência no futebol.

1. Paulo Bento

Lá estava o internacional português sentadinho no banco, pronto para jogar os últimos minutos ou nem sequer sujar os calções, como vinha sendo hábito, e eis que Custódio leva uma cacetada barrosã e tem de sair em braços. Duro teste esse para Paulo Bento, um jogador veterano, sem ritmo competitivo, e a quem de repente se pede o impossível. Mas a classe de um profissional vem ao de cima nestas ocasiões, e Paulo Bento sabia que não lhe era pedido que corresse os 100 metros em menos de 11 segundos. Entrou e jogou ao nível dos seus grandes anos, interceptando jogadas e não falhando praticamente um passe. Se o Sporting não o quiser, e ele quiser, feliz do clube que o contrate para 2004/05. Tem jogador!

2. Pedro Henriques

O nosso major também tem direito a meter o pé na argola, é certo. Mas para aqueles que, como eu, o consideram o melhor árbitro português, a prestação de Guimarães não pode ter deixado de constituir uma profunda decepção. Não me impressionaram sequer os pequenos e nada usuais erros que acumulou ao longo da partida - via-se que não estava nos seus dias, paciência. Mas como desculpar, como entender sequer que tenha passado impune aquela saída de Baía a defender com as mãos fora da área? Não viu? Viu, com certeza. Faltou-lhe coragem para expulsar o guarda-redes portista? Não acredito. Então, o que se passou? Algo sobrenatural, só pode.

3. Queiroz

Uma equipa cansada aquela com que o Real Madrid se apresentou no Mónaco... O sonho de ganhar as quatro competições em que esteve envolvido, a limitação do grupo em termos defensivos, a veterania que começa a sentir-se em alguns "galácticos" - Zidane é, há vários jogos, uma sombra do grande jogador que conhecemos - e a falta de "carregadores de piano" num plantel em que abundam estrelas têm constituído os principais entraves ao sucesso de Queiroz, Figo e Peseiro. Agora, há que conquistar a Liga para salvar a época, mas dificilmente Queiroz escapará à voragem dos "achadores de culpados" que já vinham afiando as garras. Os portugueses andam sem sorte...

4. Vítor Baía

Começo por dizer que não sou admirador de Vítor Baía para que os meus leitores possam desculpar algum tendenciosismo no que eu possa escrever. Como aqui comentei a semana passada a propósito de outra figura cheia de vento, não gosto de jogadores que olham de cima para os jornalistas e para os cidadãos em geral, como se fossem divindades a pousar seu nobre olhar sobre a populaça. Eles ficam com a sua arrogância, eu fico com a mania de que sou independente e de que digo aquilo que muito bem me apetecer. Enquanto eles estiverem na mó de cima, não tomo conhecimento dos seus êxitos, se gostasse de álcool acho até que beberia para esquecer. Mas quando um dia - e há sempre um dia em que esse dia chega - o azar lhes tocar à porta, já sabem que vão ter de ler o que não gostam. É o caso. Depois de ter visto tantas boas exibições de Vítor Baía, de ter até considerado que ele estava completamente recuperado da crise de confiança pós-Barcelona, eis que me deparo com aquela infeliz exibição em Guimarães e, logo de seguida, com a incapacidade de suportar a pressão do "flash interview". No entanto, tenho de mudar de planos. O Vítor não vai ler o que certamente não gostaria. É que tenho um princípio que me manda calar - nunca se deve bater num homem caído.

5. Marisa Cruz

O modelo mais requisitado do País, a convidada para jantar preferida de milhares de celiba- tários (e não só, e não só...), a menina que mais povoa o imaginário sexual dos portugueses, verdadeira "sex symbol" à medida do País, caiu, segundo a imprensa cor-de-rosa, nos braços do recém-divorciado João Vieira Pinto. O avançado sportinguista, se já tinha inimigos, passou agora a ter mais uns tantos invejosos à perna... Bem, mas o mais preocupante é que Marisa Cruz leva o seu novo namoro tão a sério que tem confidenciado aos que lhe são mais próximos a sua decepção pelas opções de Scolari, que deixam J. Pinto fora da Selecção. E perder aqueles pulmões a gritar por Portugal é cá uma derrota, Felipão...

Perguntas leva-as o vento...

1. Quem é o presidente de clube da SuperLiga que gosta que o tratem por "engenheiro"?

2. Quem é o presidente de clube da SuperLiga que compra terrenos para outro presidente de clube da SuperLiga comercializar?

3. Quem é o internacional português, seleccionável para o Euro'2004, que fuma três maços de tabaco por dia?...

4. ...E quem é o outro que esconde os cigarros no autoclismo?

5. Quem é o secretário de Estado cujo pequeno-almoço varia entre um café e um pastel de nata e um pastel de nata e um café?

6. Por que é que a segurança não deixa entrar garrafas de água inteiras nos estádios de futebol e os fregueses dos camarotes podem, se lhes apetecer, atirar com garrafas de vinho e latas de refrigerantes cheias para os relvados?

O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...

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