Mercado quente
Abriu o mercado de inverno. Ninguém sabe como será a equipa do Benfica no final de janeiro, nem do Sporting, nem mesmo do FC Porto – embora o gigante do Norte sempre se comporte como se nenhum banco ou outro agente financeiro tivesse uma palavra a dizer sobre as suas contas, mesmo que, afinal, estejam tão desequilibradas como as dos rivais. Mangala é o último vestígio de Jorge Mendes na estrutura portista. Tem gigantes interessados, mas Pinto da Costa é ainda quem dita os fluxos financeiros do Dragão e o único que sabe o mapa da mina.
No Benfica, o olhar pragmático de Luís Filipe Vieira irá obrigar a vender. Vender e vender. Os adeptos que se preparem para várias saídas relevantes, assim as joias da coroa tenham mercado que se veja em carradas de euros. A fasquia do encaixe financeiro está estabelecida à volta dos 100 milhões. Como diria um ex-primeiro-ministro: ora Matic, Gaitán, Garay... é só fazer as contas. E não chega.
Em Alvalade, o equilíbrio periclitante conseguido por Bruno de Carvalho ameaça ruir com a chegada de Elias. O presidente dos leões ainda tem de encontrar o tom certo para negociações musculadas. Claro que Elias tem valor para ser vendido, mas que benefício tirará o Sporting de ter um jogador no plantel contrariado e caro? Tão caro que William Carvalho não ganha sequer dez por cento do que recebe o brasileiro. A tensão inflacionista vai começar pelas bandas de Alvalade, Bruno de Carvalho terá de jogar em antecipação ou arrisca-se a ver cair a pique a competitividade da equipa. O trabalho de Leonardo Jardim merece que se venda Elias e se olhe para a situação de algumas das jovens estrelas.
P.S. – Cristiano Ronaldo está a atingir um estatuto nacional até agora apenas reservado a Eusébio. Antes dos épicos jogos na Irlanda e em dose dupla com a Suécia – como aqui fui criticamente escrevendo em várias ocasiões –, faltava-lhe liderar a Seleção até vitórias significativas. Cada golo de Ronaldo nos referidos jogos foi cravado no coração dos portugueses. Agora os seus defeitos serão olhados como se olha para os dos filhos. Ronaldo provou que sabe sofrer por Portugal e os portugueses nunca mais esquecerão os seus feitos. Está muito bem Cavaco Silva na interpretação do momento certo para uma justa condecoração.
