Mérito portista
Para quem dizia que o sucesso europeu do FC Porto esta temporada se devia, em grande parte, à fraca oposição encontrada até agora (visão redutora que não lia a qualidade de jogo que os dragões vinham a exibir), a vitória sobre o Bayern de Munique foi uma resposta esclarecedora e taxativa. Numa exibição inteligente e compacta, os dragões conseguiram marcar três golos e neutralizar uma das melhores equipas (talvez a melhor) do Mundo. Muito mérito da formação portista.
É bom referir que esta foi a primeira vez que uma equipa lusa conseguiu bater o Bayern de Munique em Portugal. E esta vitória aparece, provavelmente, num momento inesperado, no qual os alemães surgem como uma das três principais potências. Mesmo assim, o FC Porto obrigou a equipa europeia com maior acerto de passes a provocar erros e a ficar intranquila, sem conseguir encontrar soluções para marcar.
Pela frente os dragões tinham uma série de nomes consagrados, vencedores de títulos mundiais e europeus, mas não se amedrontaram, encararam o jogo de igual para igual e bloquearam a máquina alemã. Surpreendida, aburguesada e habituada a jogar contra equipas muito recuadas, a formação de Pep Guardiola não soube responder à pressão aguerrida e esclarecedora dos portistas. Foi raro ver o Bayern criar perigo junto da baliza de Fabiano. Por culpa do FC Porto.
Sem espaço na fase de construção, o Bayern não fez a circulação de bola a que está habituado e a não conseguiu fazer o seu habitual turbilhão de passes e movimentações em que a equipa sobe no terreno como um bloco pronto a esmagar o adversário. Pelo contrário, foram raras as vezes que os avançados germânicos tiveram espaço para jogar.
O FC Porto acaba premiado pela sua audácia e determinação. Nunca tirou os olhos da baliza contrária e não se encolheu perante um gigante do futebol mundial. Não tendo tanta bola como estão acostumados, os dragões foram sempre muito práticos a recuperar e sair a jogar. E em muitas ocasiões obrigaram mesmo os jogadores do Bayern a correr atrás da bola. Sem o esférico, a equipa nunca se expôs ao perigo. Garra, eficácia e eficiência.
Lopetegui está de parabéns pela estratégia montada. Aliás, nas competições europeias o FC Porto realizou até ao momento um percurso sem mácula. Na próxima semana terá pela frente o jogo mais exigente da temporada. Vai ser preciso muito sofrimento, união e vontade de sobreviver.
Mas antes de Munique há que vencer a Académica. Com igual ou até maior motivação do que a demonstrada neste jogo europeu. O grande desafio é este, fazer com que os jogadores encarem partidas da liga interna com a mesma ânsia de vencer que mostram na liga milionária. E sem margem para erro, em vésperas da visita à Luz, este é certamente o foco dos responsáveis portistas. Não é altura para facilitismos.
O FC Porto tem o plantel mais forte do futebol português. É apenas uma constatação de facto. Se é a melhor equipa, as contas finais é que o vão dizer. A jogar sempre assim, no seu modo europeu, já teria garantido vantagem sobre os rivais em Portugal. Mas é esta a beleza do futebol, em Portugal e na Europa, no qual as equipas pequenas se transcendem e conseguem colocar problemas aos emblemas mais fortes, não há vencedores antecipados.
O CRAQUE
Um Quaresma diferente
Um jogador mais completo. Ricardo Quaresma aprendeu a usar o seu talento individual em prol do coletivo. Baixa no terreno para defender e ajudar os colegas com o espírito de sacrifício de quem dá tudo pela equipa. Está diferente, para melhor. E quando um jogador se disponibiliza, humildemente, para continuar a aprender e evoluir aos 31 anos, só pode merecer elogios. É hoje um jogador de equipa, que contagia os companheiros e que, como mostrou contra o Bayern, vai até ao limite e faz a diferença.
A JOGADA
A importância de ter Jackson
A liga portuguesa tem muitos bons jogadores, mas a estrela maior tem o nome de Jackson Martínez. O jogo de quarta-feira foi ilustrativo da sua importância e valor futebolístico. Além de ser um matador feroz, com uma potência e capacidade técnica que intimida os defesas, o avançado colombiano é também um jogador generoso, que desce para vir buscar jogo e que pressiona imenso os adversários quando a equipa não tem a bola. Ou seja, se necessário, também joga como médio. Com ele em campo, o FC Porto fica muito mais forte. E regressa em boa hora para este final de temporada.
A DÚVIDA
Manter eficácia defensiva
Com Danilo e Alex Sandro castigados, Lopetegui será forçado a improvisar nas laterais para o jogo de Munique. E sem José Ángel inscrito na Liga dos Campeões, a linha defensiva que vai alinhar será praticamente inédita. Um contratempo com o qual os dragões vão ter de saber lidar num jogo que se adivinha muito difícil, onde os alemães virão com tudo para recuperar a desvantagem na eliminatória. A perfeição defensiva foi segredo para vencerem em Portugal. Conseguirão repetir esse feito na Alemanha?
