Metralhas de Alvalade

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Os Irmãos Metralha são uma criação da Disney que se mobilizam para roubar a caixa forte do Tio Patinhas. São figuras engraçadas e desengonçadas, que normalmente vêem frustrados os seus intentos, porque o pato rico arranja sempre maneira de defender a sua enorme fortuna.

Lembrei-me deles, agora, não apenas porque o futebol, às vezes, tem muito de desenhos animados, tipo Tom e Jerry, o gato e o rato, estes uma criação de Hanna e Joseph Barbera, mas também porque no Sporting o papel que Octávio Machado, Bruno de Carvalho e Jorge Jesus querem protagonizar parece mais próximo dos Bad Boys, Beagle Boys para ser mais exacto, porque o seu grande objectivo é "roubar" o "tesouro" do ‘Tio Patinhas’, isto é, os títulos que FC Porto e, ultimamente, Benfica têm conquistado nos últimos anos. A metáfora do Tio Patinhas neste caso só se enquadra para as questões de natureza desportiva, porque, financeiramente, as caixas-fortes estão vazias, com a devida licença da nossa mui optimista ministra das Finanças…

Os Irmãos Metralha são três e, nas suas aventuras contra o pato, às vezes tropeçam uns nos noutros, mas nunca se desviam do objectivo: caçar-lhe a fortuna. Os "Metralhas de Alvalade"ainda não tropeçaram uns nos outros, ninguém sabe se isso algum dia irá acontecer, há quem vaticine e deseje que sim, mas ninguém tem dúvidas de que estão unidos no mesmo propósito: bater o pé ao Benfica e FC Porto. E com todas as armas que tenham à disposição, das mais inofensivas às mais destruidoras…

Agora na Supertaça apresentaram-se juntos e unidos, e, para já, como acontece nos "bonecos" com os Irmãos (muito parecidos e vestidos da mesma maneira), ninguém parece preocupado com questões de (maior ou menor) protagonismo. Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e Octávio Machado são aquilo a que se chama a "estrutura" do futebol do Sporting. Bruno de Carvalho escolheu Jorge Jesus e Jorge Jesus escolheu Octávio Machado e não é por acaso que há um denominador comum entre eles: não são de "comer e calar", não são românticos, não acham que o "tótismo" (ideologia perfilhada pelos totós) dê vitórias e títulos e, por isso, já começaram a mostrar as garras, e não apenas Bruno de Carvalho que, até aqui, assumia as despesas todas e acumulava o desgaste de um elefante.

Na África do Sul, Octávio Machado já se havia destacado quando mandou o árbitro ‘para o c…", perante os sorrisos presidenciais, e Jorge Jesus não teve problema algum – como nunca tem – em provocar os adversários, mesmo que eles sejam os seus "queridos amigos" do Benfica, como se viu agora antes e depois da Supertaça. O próprio Bruno de Carvalho, mais escudado e protegido, mesmo ainda no "banco", consciente de que ali quem manda é mesmo o treinador (ai Jesus), já refreou os ímpetos: entre os Metralhas até parece (agora) o mais bonzinho…

Não foi o destino nem um acaso que ditou que Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e Octávio Machado se juntassem e formassem a "estrutura-Metralha". Há muito que o presidente do Sporting, este presidente do Sporting, disponível para todas as batalhas, mesmo aqueles que aparentam ser mais difíceis de ganhar, tem a convicção de que é preciso fazer com o que o leão rebente com as grades onde esteve enjaulado durante anos. Ainda pensou que era possível fazê-lo como um jovem capitão a comandar um exército de soldados e um alferes. Cedo percebeu que o alferes Silva não alinhava na sua estratégia e o plano ruiu. Eram necessários sargentões, sargentões-Metralhas, que falassem a mesma língua, que tivessem os mesmos trejeitos, sem gongorismos éticos e estéticos, assim na linha antiviscôndica e anticroquética que havia distribuído mordomias a rodos em troco de quase nada.

Esta "representação" de Jorge Jesus perante Jonas, arrastando com ele o Benfica, não foi apenas uma manifestação de ADN. Foi também a exteriorização de uma estratégia – a estratégia-Metralha.

 

Jardim das estrelas - 3 estrelas

Tondela de tostões

Começou o campeonato e o Sporting, por culpa própria (não matou o jogo na primeira parte), apanhou um grande susto, e por pouco não se registou a primeira surpresa do campeonato. O destaque do jogo de Aveiro, apesar da superioridade técnico-táctica dos leões, não pode ir para o Sporting, obrigado a mais, mas para o Tondela, que se estreia na 1.ª Liga com tostões na algibeira e conseguiu instalar a dúvida no resultado até ao último minuto da partida.

Parabéns para Vítor Paneira, que organizou muito bem a equipa defensivamente, complicando a tarefa ao adversário. Uma palavra para GELSON, lançado por Jesus na parte final do desafio: agitou o jogo e agitou a equipa, sendo decisivo no penálti que permitiu a Adrien a transformação irrepreensível do castigo máximo. Uma vitória, em todo o caso, muito importante para o Sporting, não apenas porque é sempre estimulante começar o campeonato a ganhar, mas também porque o Sporting tem uma "primeira final" no playoff da Champions, frente ao CSKA, cuja eliminatória terá uma influência decisiva naquele que será o futuro próximo do clube de Alvalade.

 

O cacto

As leis e a pastilha

As leis de jogo fizeram-se para cumprir e não podem ser como a pastilha elástica. O mesmo tipo de irregularidade às vezes é sancionada; outras não – e isso o futebol não pode consentir como "uma coisa normal". O golo do Tondela é marcado com a ajuda da mão e, no golo do Sporting, não está em causa a falta sobre Gelson, claramente para penálti, mas o lançamento de linha lateral executado dentro do terreno de jogo por João Pereira. Os árbitros precisam da ajuda dos meios tecnológicos e há que assumi-lo de uma vez por todas.

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