Milhões e tostões
Em condições normais, em semana que antecede o clássico dos clássicos e com a liderança da Liga portuguesa em jogo na jornada 13, o normal e expectável seria que Jorge Jesus e Julen Lopetegui poupassem jogadores no derradeiro jogo da fase de grupos da Champions League. Não só porque ambas as equipas têm os destinos traçados na prova (Benfica fora da Europa e FC Porto com o primeiro lugar garantido), mas também porque o título nacional é, assumidamente, o principal objetivo da época para ambos. A somar a tudo isto, o facto de a liga portuguesa ser quase um "passeio" para águias e dragões, exceção feita a alguns (poucos) jogos de dificuldade acrescida, faz com que os duelos diretos assumam uma importância primordial para as contas finais, podendo mesmo decidir-se tudo nos confrontos diretos, como sucedeu, por exemplo, nos dois anos em que Vítor Pereira vergou literalmente Jorge Jesus.
No entanto, à luz do contexto atual e das contas trazidas a público recentemente pelas SAD de Lisboa e Porto, o mero facto de estar um milhão de euros em jogo, quer na Luz quer no Dragão, frente a Bayer e Shakhtar, respetivamente, obrigarão eventualmente ambos os técnicos a fazer um jeitinho às respetivas administrações das SAD, metendo a jogar muitos dos seus pesos-pesados em jogos que nada decidem. É que nos dias que correm, e depois de tanto desperdício ao longo de anos a fio, qualquer milhãozinho ajuda a equilibrar as contas correntes e as folhas salariais. Esta é a realidade atual dos clubes portugueses. E é bom que os próprios adeptos se comecem a habituar.
