Milhões sem rasto

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Milhões sem rasto
Milhões sem rasto

O Porto vendeu por 40 milhões o jogador que recusara vender por 52 milhões?, pergunta o Benfica. Não, responde o Porto, vendeu por 60 milhões. Mas que 60 milhões, se quem pagou, o Zenit, jura que 60 milhões não pagou? Tem de haver melhor resposta para esta charada do que esta: então e o Witsel?

As vendas de Witsel e Hulk foram negócios fabulosos. São dois jogadores insubstituíveis, como escreveu ontem Carlos Daniel. Mas têm preço, um preço incrível, que salva o Benfica e o Porto de aflições.

Mas onde há tanto dinheiro parece haver dinheiro a mais. No Porto e no Benfica. O caso de Hulk: dos 60 milhões pelos quais o Porto diz ter vendido o jogador (valor que o Zenit nega), o Porto recebeu 40 milhões, explicando que só tem 85% do passe do jogador, tendo o investidor que detinha 15% recebido nove milhões, o mecanismo de solidariedade três milhões e a comissão de intermediação sido de seis milhões. Portanto, Hulk não foi vendido por 60 mas por 58 milhões, o tal investidor recebeu 15% e o Porto não recebeu 85% mas sim 69%, depreendendo-se que as comissões foram abatidas ao Porto mas não ao investidor.

Esta matemática é mais desastrada do que desastrosa – há aqui milhões a mais. O caso aplica-se a Hulk, a Witsel e muitas outras transferências, em Portugal e no estrangeiro. Quem foram os agentes que receberam comissões de seis milhões? Este valor é normal? Quem é o investidor? As transações foram feitas através de sociedades portuguesas ou de paraísos fiscais? Os clubes vão pagar impostos por estes lucrativos negócios?

Sócios e acionistas têm direito a estas respostas – e a CMVM também existe para isso. Os clubes gerem negócios demasiado grandes para uma alquimia disfarçada. No futebol, a matemática não pode ser diferente da outra. Noves fora, muito.

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