Mística
1 - Se Jacques de la Palice tivesse sido contemporâneo do futebol sublinharia certamente a existência de três resultados possíveis, a vitória, o empate e a derrota, determinantes para a conquista dos mais variados troféus. O mesmo marechal francês, falecido no séc. 16, diria também que não existem vencedores antecipados e, tratando-se de um mero espetáculo, com fins puramente lúdicos para quem assiste, as derrotas teriam de ser encaradas com naturalidade. Tratar-se-ia, afinal, da materialização de uma das três supracitadas hipóteses. No caso concreto da época do Benfica, os princípios mantêm-se.Os encarnados podiam ter ganho tudo – exceção feita à Taça da Liga, uma prova menor – e viram-se ultrapassados in extremis. Enfim, só fará disto um drama quem quiser dar-lhe tal importância...
2 - As maiores derrotas do Benfica 2012/13 não aconteceram no campo desportivo, onde houve adversários, igualmente competitivos, a lutar por objetivos semelhantes. Os grandes desaires da temporada foram institucionais. A mística sofreu um rombo, com um episódio lamentável a abrir e vários outros a fechar. Em plena pré-época, Luisão, o capitão de equipa, atropelou, em Dusseldorf, um árbitro durante o jogo com o Fortuna. Não houve repúdio nem consternação. Em plena banco de suplentes instalou-se mesmo a risota e, depois disso, não faltaram tentativas de branqueamento de um ato, no mínimo, infeliz. Os últimos momentos da época foram também demasiado tristes. Não pela derrota frente ao V. Guimarães, mas pelo que aconteceu depois do encontro. Frustrados por mais um desaire, a esmagadora maioria dos jogadores do Benfica contemplou o Presidente da República com o mais profundo desprezo, sentimento semelhante manifestado para com os companheiros de profissão do V. Guimarães, quando estes desceram da tribuna ao relvado do Jamor com a Taça de Portugal nas mãos.
3 - Antes disso, já acontecera um dos mais graves atos de indisciplina da era pós-Sá Pinto, com Cardozo a empurrar Jesus e a apontar o dedo a André Almeida, por motivos que só o paraguaio pode justificar, pois os que se tornaram evidentes roçam a fronteira do absurdo.
4 - São, conforme diria o defunto militar gaulês, casos a mais e demasiado graves. Restam assim duas hipóteses a Luís Filipe Vieira para que a mística não sofra outra rombo. Ou passa a estar mais tempo com a equipa ou encontra uma figura do clube que desempenhe tal papel. Não são as derrotas que deixam um verdadeiro benfiquista envergonhado...
