Opinião

Luís Sénica Presidente da FPP e da World Skate Europe

Momento a momento até ao final feliz

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Portugal viveu uma noite de emoções fortes, construída momento a momento até atingir um final feliz. Os primeiros 35 minutos foram claramente da equipa de Roberto Martínez, com uma exibição dominante, dinâmica e sempre à procura do golo. Rafael Leão foi a figura maior desse período. Sempre desequilibrador no corredor esquerdo, acelerou o jogo português, criou sucessivas situações de perigo e obrigou a defesa croata a recuar constantemente.

Faltou apenas aquilo que tantas vezes faz a diferença: a finalização. Portugal criou várias oportunidades claras na primeira parte, mas não conseguiu transformar em golo a superioridade demonstrada. Perante uma Croácia instalada num bloco médio-baixo, a Seleção Nacional foi encontrando espaços através da circulação de bola e dos movimentos em profundidade. Os croatas, por sua vez, apostavam nas transições rápidas, projetando quatro e por vezes cinco jogadores nos movimentos ofensivos, tentando aproveitar qualquer perda de bola portuguesa.

A segunda parte trouxe uma Croácia mais ambiciosa. A equipa balcânica surgiu mais subida no terreno e aproximou-se com mais frequência da baliza portuguesa. Foi então que apareceu Diogo Costa. Seguro, atento e decisivo, o guarda-redes português mostrou toda a sua qualidade e manteve a equipa em jogo nos momentos de maior pressão adversária.

Quando surgiu o golo croata, o encontro entrou numa verdadeira montanha-russa emocional. Martínez percebeu que era tempo de arriscar e lançou alterações para devolver agressividade ofensiva à equipa. Nessa fase, Portugal perdeu alguma consistência no meio-campo, arrastado pela urgência do resultado e pela carga emocional do jogo. Percebendo a necessidade de devolver equilíbrio à equipa, Roberto Martínez fez entrar Rúben Neves, procurando recuperar controlo e capacidade de circulação no meio-campo.

E foi nesse contexto de crença que nasceu o final feliz. Uma palavra especial para Gonçalo Ramos, homem do jogo e autor de um golo de enorme qualidade. Um cabeceamento de execução irrepreensível e elevado grau de dificuldade, digno de decidir uma partida desta dimensão. Um final feliz construído momento a momento, com talento, sofrimento e uma equipa que nunca deixou de acreditar.

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