Momento chave desta Liga
Aconteça o que acontecer, a próxima jornada promete ser um dos momentos chave deste campeonato. O dérbi de Alvalade será mais emocionante do que se poderia prever há cerca de mês e meio. Os leões jogam a cartada final para ainda manterem as suas aspirações ao título, enquanto o Benfica tem a possibilidade de deixar o rival praticamente arredado dessa luta.
Bem se pode dizer que depois da tempestade, veio a bonança para o Sporting. Após uma crise interna que quase custou o lugar a Marco Silva, a equipa uniu-se em prol do seu treinador e partiu para um ciclo positivo de resultados que voltaram a colocar os leões mais tranquilos, nos lugares de qualificação para Liga dos Campeões e com os pés nas meias finais da Taça de Portugal.
Com uma série de seis vitórias consecutivas e estando sem perder no campeonato há 10 jornadas, o Sporting aproveitou bem os deslizes dos rivais Benfica e FC Porto para se aproximar do topo da tabela e chegar ao dérbi com possibilidades reais de voltar a intrometer-se na luta pelo título. Depois de terem estado a 10 pontos de distância, os leões têm a oportunidade única de reduzir essa diferença para 4 pontos e continuar a sonhar.
Para a equipa leonina não há outra alternativa senão ganhar. E se tal acontecer, juntamente com uma vitória do FC Porto em Moreira de Cónegos, não há dúvidas que o campeonato fica relançado a três. Mas o Benfica tem, como é óbvio, uma palavra a dizer. E depois da exibição compacta e eficaz que teve no Dragão, pretenderá certamente repetir a dose em Alvalade, para manter e/ou alargar as distâncias pontuais para com os rivais.
Acredito por isso que o Benfica vai apresentar-se em Alvalade de um modo semelhante ao que fez no Porto. Mais na expectativa e pragmático, gerindo os momentos do jogo e partindo à procura do erro do adversário para poder contra atacar com perigo um Sporting galvanizado pelos seus adeptos, que vai querer ter mais bola e a iniciativa de jogo.
Éclaro que o modo como as equipas se vão apresentar também depende dos interlocutores que tiverem à disposição. Um jogo com Slimani e Gaitán em campo, jogadores em dúvida devido a lesão, assumirá caraterísticas totalmente diferentes face a um cenário sem a sua presença. Do lado do Sporting, a utilização de Slimani implicará um jogo mais dinâmico nas faixas e um maior número de cruzamentos à procura do avançado na área. Já Gaitán assume-se como uma referência para pautar o jogo encarnado, jogador sempre procurado pelos colegas para definir as melhores opções de passe e finalização no último terço do terreno. Sem eles, leões e águias terão de usar armas diferentes.
Marco Silva e Jorge Jesus destacam-se pelo modo como estudam os adversários e como moldam as suas equipas para neutralizar as forças do oponente. Deste modo, o jogo estratégico entre treinadores será muito interessante de acompanhar, até porque, desde os tempos no Estoril, que Marco Silva tem sido um dos técnicos nacionais que mais dificuldades criam, em termos táticos, às equipas de Jorge Jesus.
Enesta vertente, os duelos de meio campo prometem fazer a diferença. Optará Jesus por um terceiro médio para encaixar no trio William-Adrien-João Mário? Conseguirá Marco Silva suster a avalanche ofensiva do Benfica, normalmente construída a partir do miolo do terreno? Dúvidas para responder no domingo à noite, numa partida que se deseja ser um excelente espetáculo de futebol e um veículo de promoção da nossa liga que, finalmente!, já tem patrocinador.
O craque
Diogo Figueiras em bom plano
Aqui ao lado, em Espanha, o Sevilha continua pelos lugares cimeiros da tabela e aposta tudo em conquistar um lugar na próxima edição da Liga dos Campeões. Unai Emery conta com a presença assídua de três portugueses nas suas escolhas: Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras. Este último tem estado em evidência nas últimas semanas, ao revelar uma desconhecida veia goleadora, com dois impressionantes golos de fora da área. Atuando como lateral ou médio, a polivalência de Diogo Figueiras é uma mais-valia para um jogador que se destaca pela entrega, consistência e profundidade que dá às alas.
A jogada
O crescimento do Nacional
Com 4 vitórias seguidas na Liga e a passagem às meias finais da Taça de Portugal, o Nacional da Madeira está num ótimo momento. O mercado de inverno parece ter feito bem à equipa de Manuel Machado e os ajustes feitos com as entradas de jogadores como Tiago Rodrigues, Christian, Wagner e Luís Aurélio colocaram a equipa noutro patamar competitivo. No espaço de um mês, os madeirenses deixaram de estar a 3 pontos dos lugares de descida para se encontrarem agora a 3 pontos de um lugar europeu. Está a surgir um novo candidato à Europa.
A dúvida
Maus conselhos, más decisões
É difícil, por vezes, perceber as decisões que alguns jogadores tomam para o rumo das carreiras. Opções que, por mais vantajosas que sejam em termos financeiros, acabam por minar o trajeto desportivo dos atletas. São casos que ocorrem em todos os clubes nacionais: Oblak trocou a baliza do Benfica pelo banco do Atlético Madrid, Bruma despontava no Sporting e preferiu ir para a Turquia e Silvestre Varela, titular do FC Porto e presença frequente na Seleção, optou por equipas que lutam para não descer em Inglaterra, e agora, em Itália. Estará o erro em quem aconselha os atletas?
