Mourinho treme
O Real Madrid vence de goleada a equipa símbolo da diferença basca e nem assim se calam as críticas sobre Mourinho. Porquê?
A equipa que Mourinho lançou frente ao Barcelona, perante 100 mil testemunhas, foi um hino ao masoquismo do não-futebol e a demonstração de que mesmo um génio da tática pode ser traído pela memória deturpada pelo medo.
O medo de Mourinho tirou da memória um jogo em que dez atletas de alma hipertrofiada fizeram frente a este Barcelona pelo Inter Milão. Essa receita – não totalmente decidida por Mourinho, antes ditada por uma expulsão – é irrepetível. Mas Mourinho parece não aprender a lição. Este Barcelona de sonho só é contrariável num jogo grande se o adversário conseguir pressionar muito alto.
É quando a bola ainda não está totalmente redonda nos pés de Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi que o adversário pode encontrar alguma vantagem. Logo, é necessário atacar a saída de bola nos defesas-centrais e no trinco. Logo, é necessária uma equipa lançada para o meio-campo contrário e não uma sementeira de defesas e trincos como Mourinho fez em Madrid. Para vergonha sua, dos jogadores e dos adeptos. Claro que Pepe pode ser deslocado da defesa para marcar Messi. Pepe é o jogador que Messi mais teme. A presença do português num raio de cinco metros faz Messi jogar num só toque. A silhueta de Pepe à sua frente leva Messi a evitar o drible com que embala. Mas para lá de Pepe é necessária uma equipa que saiba jogar no meio-campo contrário e não oito jogadores amarrados a tarefas defensivas.
Agora, em Barcelona, Mourinho tem de novo a palavra.
P.S. – Caro leitor, esta crónica só foi escrita após o Olhanense-Sporting, por respeito pelos que seguem estas linhas. Mas não há nada de relevante a acrescentar ao que tenho escrito, pois não?
