Mundial não está perdido
Não foi preciso esperar muito tempo após o apito final em Alvalade para ler, aqui no Record Internet, um coro de críticas à Selecção. De Queiroz a Quim, de Nani a Nuno Gomes ou de Bosingwa a Maniche todos foram "culpados" da inacreditável derrota com a Dinamarca. Todos não. Deco, autor de uma "jogatana", escapou ileso. Mas, depois de procurar com paciência, posso assegurar que foi o único!
E o povo português, bem mais célere em "rasgar" do que a criticar construtivamente (no futebol e em tudo o resto...), não faz a coisa por pouco. Basta uma vista de olhos pelos comentários ao "directo" e as "conclusões" são óbvias: Queiroz devia ser despedido já; Quim não merece a titularidade; Nuno Gomes não serve nem ao meu Atlético; Bosingwa não tem velocidade; Nani é um individualista; Simão só joga porque é uma "vaca sagrada"; Maniche está de rastos; Meireles não faz esquecer não sei quem, etc, etc.
Bom, vamos lá tentar ser um pouco racionais: Portugal perdeu e tal não devia ter acontecido (para mim... nunca deve acontecer). Ainda por cima a derrota aconteceu em casa e diante de um adversário directo na luta pela qualificação para o Mundial de 2010. Mas, objectivamente, este mau (e evitável) resultado já nos afastou da África do Sul? É claro que não!
Para os mais distraídos convém recordar que este foi o segundo jogo de uma prova em que todas as equipas têm de realizar 10. Significa que ainda restam 8. Matematicamente falando são 24 pontos que estão em aberto. Acredito que vamos arrebanhar todos? Não, duvido muito que isso seja possível. Mas, por outro lado, sei que tal não seria uma surpresa por aí além e que, se tudo decorrer com normalidade, vamos conquistar a esmagadora maioria dos pontinhos.
Por muito que isso custe a todos os que, até há umas horas estavam de "bico calado" à espera de um tropeção, Portugal tem mesmo uma Selecção capaz de ganhar, seja em casa ou fora, a todas as equipas que fazem parte da nossa série de qualificação, inclusive a esta Dinamarca que, tendo tido sempre o mérito de discutir o jogo e de acreditar que podia pontuar, deve ter esgotado num só jogo todo o "stock" de sorte disponível para a "poule".
Sou (fui e serei sempre) contra as vitórias morais, mas não me parece lógico que, depois de Portugal ter feito uma exibição bastante interessante durante cerca de 80 minutos, se reduza tudo a zero. Concordo que é necessária maior clarividência para gerir vantagens mínimas; que Quim não pode sair em falso perante formações recheadas de "gigantes", que a defesa e o meio-campo deviam ser mais rápidos nas marcações nos últimos instantes e que os atacantes, perante situações de golo feito, não podem desperdiçar tanto. Mas, sinceramente, grave teria sido perder ser jogar rigorosamente nada, sem criar situações de golo, sem praticar um futebol com um mínimo de qualidade.
Surpreendente também foi ver a forma rápida como cresceram em Portugal os apoiantes do "regime anterior". Para esses, uma derrora caseira com a Dinamarca devia valer a cadeia a muita gente. Provavelmente, já não se lembram dos "resultadões" - em casa e fora - com Liechtenstein, Eslováquia, Irlanda do Norte, Polónia, Sérvia, Kuwait, Arménia, Suíça ou Finlândia. E muito menos devem ter presente um relativamente recente 2-4... com a Dinamarca!
