Não basta estalar os dedos

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Os sinais de crescimento que o Sporting tinha mostrado nos primeiros jogos da temporada desvaneceram-se ontem, com o empate caseiro diante do Paços de Ferreira, um dos 'piores' clientes de Alvalade nos últimos anos. Jorge Jesus tem algumas razões para se queixar da arbitragem, mas o que ficou ontem bem claro foi que a equipa que pretende a montar ainda está longe das necessidades de um Sporting que só olha para o primeiro lugar final da Liga e para uma boa figura na Liga dos Campeões.

'Entalado' entre os jogos com o CSKA Moscovo, Jesus fez duas alterações àquele que tinha sido o seu onze até ontem: Aquilani e Montero substituiram Adrien e Téo Gutiérrez. Não se pode dizer que tenha sido por aí que as coisas se complicaram, mas a verdade é que se viu um Sporting preso de movimentos e com poucas ideias, um problema natural para uma equipa cujas pernas ainda pesam pelo desgaste de terça-feira e cuja cabeça já está focada na segunda mão, a disputar na quarta-feira, em Moscovo. A entrada na fase de grupos representa muitos milhões para o clube e, ainda mais importante, glória para quem está dentro de campo. A Champions é o pedestal do futebol moderno, onde todos os jogadores, treinadores e até adeptos querem estar, e é natural que, depois de chegar à vantagem num jogo em casa diante de uma formação bastante inferior, aquele hino já ecoasse na cabeça de muitos.

Estes dois pontos perdidos em casa, apesar não serem dramáticos, devem fazer com que todos mantenham os pés no chão em Alvalade. O Sporting, um clube que nos últimos anos não teve condições (financeiras e, por consequência, desportivas) para se bater de igual para o igual com Benfica e FC Porto, não será transformado numa potência com um estalar de dedos, nem que esses dedos sejam de Jesus. Sim, é um excelente treinador, como mostram os seis anos que passou do outro lado da Segunda Circular, mas não se lhe pode exigir que construa em mês e meio uma equipa com estofo de campeã ao mesmo tempo que joga partidas absolutamente decisivas para o desenrolar da temporada. Roma e Pavia não se fizeram num dia, o novo Sporting também não se fará.

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