Não dá para mais
É polémica a forma como a presença na Liga dos Campeões tem sido tratada no discurso de Jorge Jesus. Os críticos não aceitam que o treinador do Benfica retire pressão ao grupo com a valorização do objetivo interno em detrimento da carreira europeia.
Neste particular, não poderia estar mais de acordo com Jesus: com aquela dupla de centrais, sem poder de fogo na área adversária e com um meio-campo titubeante no centro, o que esperavam os benfiquistas que o seu técnico viesse dizer?
Que o Benfica é um grande europeu, pela sua história, isso está óbvio para qualquer adepto de futebol, mas esta época a equipa está demasiado limitada para Jesus poder vir a terreiro prometer a Lua, quando as pernas de alguns jogadores tremem na relva dos maiores palcos.
Para mais, as palavras de Jesus são tanto mais ajustadas quanto não é preciso motivar os jogadores, nem há grande risco de que estes se desconcentrem, quando o que está em causa são jogos nos grandes palcos de Europa, onde os jogadores ficam assim como quem está na montra da loja mais cara do melhor centro comercial.
Jesus faz bem, face aos recursos que tem disponíveis, em estabelecer claramente que o único grande objetivo do Benfica é o campeonato – esta é uma equipa para consumo interno e sem classe nem recursos para mais.
Nem para voltar à final da Liga Europa esta equipa tem estofo, vamos ver se escapa ao último lugar do seu grupo.
P.S. – A primeira convocatória de Fernando Santos abre guerra à hegemonia de Ronaldo na definição dos critérios da Seleção. A equipa portuguesa foi montada, durante os anos de Paulo Bento, toda em torno da figura incensada do grande craque mundial. Agora Fernando Santos alerta que quem manda na Seleção é ele. Como irá reagir Ronaldo?
