Nas mãos de Luís Filipe Vieira

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Nas mãos de Luís Filipe Vieira
Nas mãos de Luís Filipe Vieira

Luís Filipe Vieira conta com dois importantes dossiers em cima da mesa. A renovação ou não de Jorge Jesus e o processo de implementação da Benfica TV enquanto canal pago. Duas matérias de enorme importância para o futuro do Benfica, nas quais o líder encarnado estará empenhado nos próximos tempos.

1 - Jesus deve ou não continuar? Eis o dilema benfiquista. O treinador trouxe muitas coisas boas para a Luz, deu outra dimensão ao futebol encarnado e valorizou ativos como nenhum outro treinador tinha feito antes. Porém, a conquista de títulos ficou abaixo do esperado. Só isso poderá ter travado, até agora, a renovação do técnico.

Penso que a renovação de Jorge Jesus seria um justo prémio. Mas é possível que uma decisão nesse sentido esteja dependente da conquista do campeonato. A pressão dos sócios e simpatizantes do clube assim o exige. Contudo, é bom não esquecer o trabalho de Jesus: campeão no primeiro ano, Benfica mais competitivo a nível nacional e internacional e jogadores potenciados que renderam vendas milionárias.

Os resultados ditam o futuro dos treinadores. E Jesus também não está imune a essa realidade. Para Luís Filipe Vieira, o momento é de reflexão. Renovar com um treinador que, embora sem todos os títulos desejados, manteve a equipa no top ou arriscar a vinda de um novo técnico para renovar a ambição?

A troca de treinador é igualmente uma faca de dois gumes. Uma nova liderança técnica pode trazer novas ideias para equipa e contribuir para um aumento do seu patamar de qualidade. Mas também pode ter precisamente o efeito contrário. Há um modelo implementado e uma rotura com o mesmo pode ter consequências. Veja-se o que se passou com o rival da Segunda Circular: o Sporting nunca mais foi o mesmo depois da saída de Paulo Bento.

2 - A aquisição dos direitos de transmissão da liga inglesa, por parte da Benfica TV, é mais um passo que o clube encarnado dá no sentido de criar uma oferta de conteúdos atraente, na qual se incluem a liga brasileira e os jogos do campeonato que o Benfica realizar na Luz. A aposta tem riscos, mas pode-se tornar rentável.

Desta forma, estão reunidas as condições para que a Benfica TV seja um canal pago, subscrito por benfiquistas e não só (além das ligas estrangeiras, as visitas de FC Porto e Sporting ao rival vão certamente suscitar interesse), capaz de gerar receitas importantes.

Nesta estratégia, o clube passa também a poder gerir os horários dos seus próprios jogos e isso terá um papel importante na exploração comercial dos direitos de transmissão no estrangeiro. Por exemplo, não será descabido pensar que algumas partidas se poderão realizar de manhã, de forma a piscar o olho aos mercados asiáticos.

O know-how de José Eduardo Moniz também se revelará precioso a partir de agora. Figura do audiovisual com largos anos de experiência, o vice-presidente do Benfica vai ajudar o clube a mover-se neste novo mercado. Além da criação de conteúdos televisivos, a negociação com operadores estrangeiros será vital para atingir o encaixe financeiro pretendido.

Luís Filipe Vieira acredita que esta é a melhor solução para o clube. É uma opção corajosa e há que reconhecer-lhe isso. O tempo dirá se terá condições para ser rentável e se supera as ofertas que o Benfica recebeu anteriormente. Alguns especialistas têm dúvidas, outros mostram otimismo. Uma coisa parece evidente: o Benfica é o único clube em Portugal (e dos poucos na Europa), com condições de se aventurar num projeto deste género.

O CRAQUE - Bonança após tempestade

Depois de uma fase em que foi muito criticado pelos adeptos do Real Madrid, Fábio Coentrão parece viver dias mais felizes e tem surgido em grande plano no onze titular dos merengues, atirando o conceituado internacional brasileiro Marcelo para o banco. Nos últimos embates com Barcelona e Manchester United, o lateral português (por obra de Jorge Jesus) não se atemorizou e mostrou toda a sua qualidade no corredor esquerdo, a defender e a atacar. A dar continuidade ao bom momento, esta será a sua época de afirmação em Madrid.

A JOGADA - Crédito para Vítor Pereira

Bastou apenas um empate em Alvalade, para que alguns profetas da desgraça viessem colocar em causa a qualidade do trabalho de Vítor Pereira. No clássico com o Sporting, vimos um FC Porto dominante, à procura da vitória, que impôs o seu jogo e apenas pecou pela desinspiração na zona de finalização. O Sporting defendeu bem e até podia ter ganho, mas a haver um vencedor justo, seriam os portistas. O técnico do FC Porto não merece a desconfiança que permanentemente insistem em colocar nele.

A DÚVIDA - Plano que pode sair furado

Conhecidos que são os planos do Benfica para o seu canal de televisão, será interessante perceber como ficará a pretensão do presidente da Liga de Clubes em centralizar os direitos televisivos do campeonato português num único pacote. Os encarnados poderiam ter sido os aliados perfeitos para entrar nesta batalha, mas acabou por seguir o seu próprio caminho. A união dos direitos televisivos foi bandeira eleitoral de Mário Figueiredo e uma ideia que entusiasmou os clubes mais pequenos. Que alternativas lhe restam agora?

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