No fundo, tudo na mesma

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No fundo, tudo na mesma
No fundo, tudo na mesma

A FIFA anunciou que pretende acabar com a partilha de passes de futebolistas por terceiros, os chamados fundos de investimento, numa medida que, à primeira vista, ameaça afastar de vez o futebol português do centro da Europa. Mas calma: o Inferno não congelou e a Terra mantém-se no eixo. Por muito que a FIFA e a UEFA, ou quem quer seja, estrebuchem, os fundos estão para ficar e a tendência será até alargar a sua zona de influência, chegando a campeonatos onde são atualmente proibidos. Tudo porque a partilha de passes de jogadores é apenas um acessório de um negócio que garante enormes margens de lucro e uma boa dose de segurança a quem investe.

Hoje em dia, muitas transferências em Portugal já são financiadas por terceiros cujos nomes ficam na sombra, sem necessidade de comunicados à CMVM. Como? Tudo depende do acordo que é feito entre o clube comprador e o financiador (fundo, investidor, o que quisermos chamar). Se um clube A quiser contratar o jogador X e não tiver dinheiro, pode chegar a acordo com alguém que financie a operação, em parte ou na totalidade, comprometendo-se a pagar o crédito sob determinados prazos e/ou condições – que podem ser em função do valor de venda. Tudo feito dentro da legalidade, mesmo se a partilha de passes com terceiros (“Third Party Ownership”, na linguagem comum internacional) for mesmo banida pela FIFA. Na prática, os fundos não serão donos de percentagens de passes; apenas financiadores ao abrigo de um contrato paralelo assinado com os clubes que detêm os jogadores.

A reação da Doyen Sports, um fundo que injetou cerca de 300 milhões de euros no mercado de transferências e que tem enorme presença em Portugal, explica que nada belisca os seus poderosos interesses. “O nosso ‘modus operandi’ não é partilha de passes (...). O que fazemos é partilha de investimento, prática feita por bancos e muitas instituições financeiras e, de alguma forma, também pelas autoridades fiscais de cada país”, notava o comunicado emitido ontem pela companhia sediada em Malta.

A FIFA e a UEFA podem continuar a estrebuchar, mas este futebol é o monstro que elas próprias ajudaram a criar.

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