No submundo

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Paulo Macedo disse ontem no Parlamento uma frase sobre a Saúde que pode ser adaptada ao futebol: “A Saúde não é um negócio para o Estado, mas para quem vive à custa dela há muito tempo”, disse o ministro, que enfrenta uma greve de médicos pouco frequente. O futebol também não é um bom negócio para os clubes, mas é-o para quem vive à custa deles há muito tempo.

O assunto é recorrente nesta coluna, mas nem o hábito desfaz a perplexidade. Ontem, o Record noticiou que documentos tornados públicos pela FIFA revelam que o seu antigo presidente João Havelange foi uma das pessoas (Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol até março passado, foi outro) que recebeu subornos da empresa de marketing ISL em troca de vantagens na venda de direitos televisivos de transmissão. É de bradar aos céus. O brasileiro Havelange foi presidente da FIFA durante 24 anos, era respeitadíssimo e, sabe-se agora, pagou para que o seu nome não fosse tornado público quando este caso foi investigado. Uma vergonha. Outra vergonha.

Usando as palavras de Paulo Macedo, há demasiado negócio debaixo da capa de um desporto que move paixões. Jogadores, dirigentes, agentes, há uma série de salários, contratações e comissões milionárias à custa dos clubes, que ademais andam na subnutrição de resultados financeiros. Neste defeso, como em todos, cada jogador comprado e vendido é um negócio em que muita gente lucra muito dinheiro. E as instituições federativas e associativas são, supostamente, o garante da transparência possível, vigiando a atividade. Se na própria FIFA havia disto (espera-se que já não haja), subornos para decisões em contratos de transmissão de televisão, o mundo do futebol não está apenas mau em Portugal, está péssimo em todo o lado.

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