Nunca mais te falo
O corte de relações entre o Sporting e o Benfica tem um problema declarado: o da inutilidade. Uma afirmação de rejeição perde toda a eficácia quando é banalizada. E esta perdeu. Quantas vezes o Sporting já cortou relações com o Benfica ou com o Porto ou com quem não lhe dá cá aquela palha?
Bruno de Carvalho é especialmente irascível, gosta de fazer cenas e de ser radicalmente intolerante em relação a qualquer forma de desrespeito. No princípio do seu mandato, isso marcou uma forma de resgatar o orgulho de um clube que vinha sendo zombado e desconsiderado por más administrações e maus resultados. Depois, isso banalizou-se. E essa trivialidade fez com que muitos dissessem que esta foi até uma manobra do Sporting afastar o foco de tensão depois do empate do fim de semana no último minuto contra o Benfica. Mesmo que o Sporting merecesse ganhar o jogo, que só por uma sorte danada o Benfica empatou. Afinal, o inimigo externo agrega.
Acontece que desta vez o Sporting tem razão. A provocação da claque benfiquista no jogo de futsal foi raivosa, sádica e estúpida e só podia ter provocado uma reação do Benfica: a de repúdio total. O Sporting foi desrespeitado e a família de um sportinguista morto num estádio por um very light atirado por um membro de uma claque merece no mínimo um pedido de desculpas. E como ódio gera ódio, e o Benfica não isolou institucionalmente os autores da provocação de ódio, a violência escalou para o jogo de fim de semana.
Um corte de relações não serve para nada. Mas é chocante como o Benfica não faz o mínimo esforço para reparar o mal que aqueles em seu nome fizeram.
