Nuno Assis e Scolari
Dia movimentado este. Minutos depois de se saber que Nuno Assis não se dopou, a Federação anunciou a renovação com Scolari. Dois assuntos interessantes e que, por isso, merecem alguns linhas:
1 - Afinal, segundo se ficou a saber hoje, Nuno Assis não se dopou. E para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol "o procedimento disciplinar (...) pautou-se pela violação das garantias de defesa" do jogador.
Por outras palavras, Nuno Assis esteve cerca de 5 meses impedido de trabalhar por algo que, depois de tantas análises e contra-análises, não existia.
É certo que o mais importante para Nuno Assis está conseguido. Foi ilibado e pode, quanto antes, regressar ao activo. Porém, o sofrimento porque passou já não se pode apagar, o mesmo acontecendo com a má fama adquirida. Sempre que Assis tiver um lance menos feliz, um qualquer idiota irá recordar a sua ligação a este caso.
Não sei qual o caminho que Nuno Assis vai seguir após esta decisão, mas se o caso fosse comigo iria batalhar, até onde fosse possível, por uma indemnização. E sabem o que faria com o dinheiro? Iria doá-lo! A quem? Talvez às entidades que fazem os controlos antidoping. Com melhores meios, quem sabe se os resultados não passariam a ser mais fiáveis...
2 - Scolari cumpriu com a sua palavra. Sempre disse que queria continuar à frente da Selecção Nacional e é exactamente isso que vai suceder. Pelo menos até à fase final do Europeu de 2008, onde Portugal, indiscutivelmente, vai ter de estar com um só objectivo: lutar pelo título, conforme o próprio admitiu, indirectamente, no Estádio Nacional, no dia do regresso da Alemanha.
Discordo, regularmente, de algumas das opções do técnico brasileiro. Não gosto, por exemplo, de ver Portugal com muitas cautelas defensivas (a jogar com dois médios recuados) quando enfrenta equipa debéis, da mesma forma que "torço o nariz" por, invariavelmente, a táctica não incluir a possibilidade de começar um jogo com dois avançados. Mas, estas discordâncias (entre outras, como algumas substituições que não entendo) não me levam a dizer que Scolari devia ter deixado a Selecção.
Depois de ter atingido a final do Europeu, o técnico manteve a equipa num patamar elevado, guiando o conjunto até um saboroso quarto posto no Mundial. Assim, concordando ou não com determinadas opções, é de elementar justiça dizer que o homem apresenta resultados. E no futebol, como em tudo na vida, o mais importante são os resultados. Logo só tinha de se manter no seu posto.
Scolari vai iniciar um novo ciclo à frente da Selecção. Ciclo esse que irá ter duas vertentes novas: a equipa precisa de ser remodelada (Figo e Pauleta já confirmaram o adeus e jogadores como Costinha ou Nuno Valente podem não conseguir chegar a 2008 em condições de oferecer totais garantias) e o objectivo, mais do que estar em fases finais e lutar pelos postos cimeiros, passa por ganhar. Vamos ver como Scolari vai lidar com esta nova realidade. Se aceitou o desafio é porque acredita que pode vencê-lo. É "só isso" que 10 milhões de portugueses querem, independentemente de concordarem (ou não) com os caminhos que irão ser trilhados pelo técnico brasileiro.
