Pedro Madeira Rodrigues Antigo candidato à presidência do Sporting e sócio n.º 10.668

O “brunismo” veio para ficar?

Já não bastavam as exibições nos relvados e as intervenções públicas do presidente, os sportinguistas vão agora ser, ao longo dos próximos meses, relembrados regularmente da vergonha que se passou em Alcochete.

Vendo na televisão a figura de Bruno de Carvalho, sem perder a habitual arrogância e má educação, voltei a pensar como é que foi possível o Sporting chegar a este ponto de ter um ex-presidente acusado de autoria moral de agressões aos nossos jogadores. O que mais impressão me fez foi ver que ele está igual ao que sempre foi, mas hoje anda completamente sozinho – onde andam os "pais da criança"?

Conheci pessoalmente Bruno de Carvalho em 2011 e fiquei logo mal impressionado pelas mentiras facilmente desmontáveis que me disse, mas reconheci-lhe mérito pelo oportunismo que demonstrou, vontade de "agitar as águas" e pela capacidade que teve de levar muitos atrás de si. Quando ele ganhou as eleições de 2013 percebi que estávamos perante uma espécie de revolução e que o Sporting iria mudar. Bruno de Carvalho não gostava do Sporting (o que ele disse depois da destituição e agora sobre os erros na segurança da Academia sem pensar nas consequências que poderá ter na questão de Rafael Leão demonstram-no bem) e iria querer transformá-lo à sua imagem.

Foi com estoicismo sportinguista que acompanhei aquele primeiro mandato recheado de episódios embaraçosos para o nosso clube, mentiras, demagogias e ofensas a torto e direito, com a maioria dos sócios encantados com Bruno de Carvalho, o qual, de facto, conseguiu trazer um novo élan ao clube apesar da quase ausência de títulos no futebol. Os constantes erros na construção dos plantéis foram mitigados pela acertada escolha dos treinadores que, por seu lado, nunca tiveram da parte diretiva a estabilidade necessária para concretizar todo o potencial que tinham. A aposta nas modalidades foi acertada e visível, mas o invisível desinvestimento na formação foi dramático para o clube.

Era para mim evidente o perigo que constituiria um 2º mandato de Bruno de Carvalho na mudança definitiva da identidade do clube. Felizmente dei em 2017 a cara pelos resistentes que não se deixaram intimidar e enganar e lutaram para evitar o que já era evidente. A promoção do nascimento da filha, as inenarráveis AG de alteração dos estatutos e o "ataque a Alcochete" foram apenas alguns dos muitos episódios subsequentes relacionados com o facto de Bruno de Carvalho querer confundir-se com o Sporting e sentir "as costas quentes" pelos seus apoiantes / cúmplices.

Apesar dos tremendos investimentos, o sucesso desportivo não aparecia e antes que lhe pudessem cobrar as promessas feitas havia que tornar-se definitivamente "dono do clube", daí a sua precipitação pós-Madrid. Os ataques aos jogadores e treinadores, aos "sportingados", à comunicação social, etc. faziam parte duma estratégia de poder totalitário que, felizmente, falhou quando muitos sportinguistas quase em desespero souberam corajosamente resolver o assunto.

Falhou depois a ideia de eleger alguém com um perfil diferente que já não atacasse consócios, que não se vitimizasse, que não mentisse, que não usasse as vitórias do clube para promoção pessoal, que não fizesse uma gestão desportiva amadora, em particular no futebol, e que não instrumentalizasse as claques, neste caso usando-as para desviar as atenções dos resultados negativos. A questão que fica é se o "brunismo" veio mesmo para ficar … Pela amostra parece-me que sim.

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