O calvário do "Fenómeno"

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1 - Dizer que o jogador A é melhor que B ou C é sempre subjectivo. Já o fiz várias vezes, em relação a futebolistas ou profissionais de outras modalidades, mas tirando casos demasiado óbvios assumo que se trata de um exercício tão complicado quanto injusto. Então quando se tenta avaliar atletas que jogaram em gerações, países, clubes ou posições completamente diferentes a subjectividade é tal que qualquer tirada pode facilmente ser contrariada pelo vizinho, por um familiar ou amigo. O contrário é que seria estranho, acrescente-se...

Vem tudo isto a propósito da recente lesão de Ronaldo, o "Fenómeno". Para mim, um dos mais geniais futebolistas que vi actuar. Não sei se foi o melhor, o terceiro ou o oitavo. E, sinceramente, isso não importa. Só faço questão de dizer que foi um dos melhores, até os joelhos começarem a ceder.

Quando, em 1994, no Mundial dos Estados Unidos, entrevistei um rapaz humilde - dos poucos brasileiros com quem se conseguia falar sem estar rodeado por uma multidão -, introvertido e nada habituado a falar com jornalistas, jamais pensei que aquele miúdo iria oferecer-nos um sem número de golos, arrancadas e dribles fantásticos.

Numa patusca cidade californiana (Los Gatos), famosa à época por acolher o centro de treino de vários campeões norte-americanos de natação, Ronaldo pouco falou. Respondia a tudo apenas com "sim", "não" e "talvez". Recordo-me bem que somente articulou uma dúzia de palavras seguidas quando lhe pedi para me dizer o que mais gostava nos Estados Unidos. Com um sorriso de orelha a orelha, elogiou as montanhas-russas!

O Brasil foi campeão do Mundo, mas Ronaldo não jogou um único minuto. Cheguei a duvidar que o rapaz fosse assim tão bom. Mas era. Constatei-o, depois, vezes sem conta. Espero ter oportunidade de o voltar a confirmar. Um génio destes não merece deixar o futebol após (mais) uma traiçoeira lesão...

2 - Camacho escalou mesmo dois avançados de início diante do Nuremberga. Fiquei surpreendido. O Benfica jogou pouco, mas marcou (com sorte) e venceu. Não me admira. Só ganhou foi a partida. Um Benfica "a sério" talvez tivesse encaminhado mais a eliminatória... Rui Costa foi o melhor dos encarnados. Alguém foi apanhado de surpresa? Eu não!

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