O caso Roberto
Das duas uma: ou levamos o caso a brincar, encolhemos os ombros porque o futebol é mesmo assim e fazemos umas piadas novas para trocar emails; ou então levamo-nos a sério e dizemos ao Benfica que para parvos escolham outros. Já foi difícil aceitar a compra de Roberto por 8,5 milhões de euros. Engolir a venda por 8,6 milhões é como acreditar que um pinguim voador vai cultivar grão-de-bico na Lua.
A compra de Roberto foi cara: poucos guarda-redes atingem esta soma. Pior ainda, o estimável jogador não teve sorte ou capacidade para o que se esperava: Mas pronto, acontece, Jesus e Vieira tinham enfiado um barrete. A coisa piorou quando, depois, se soube que o Ministério Público estava a investigar contratos de guarda-redes do Benfica, e o empresário Jorge Mendes, por possíveis crimes de burla, fraude fiscal e branqueamento de capitais: os valores não teriam sido declarados nem os impostos pagos.
Agora a venda. Um valor alto, de um jogador que desvalorizou, com um conveniente lucro de cem mil euros e a excentricidade de ter sido pago por um clube falido, o Saragoça. “Milhões da treta”, denunciou Pinto da Costa. A CMVM suspendeu as ações em Bolsa, a SAD esclareceu que afinal o dinheiro vinha de uma “sociedade de direito espanhol” que ninguém sabe de quem é. Jorge Mendes nega que seja sua, é talvez um “clube de empresários”.
Não se sabe o que está por detrás deste negócio mas o que está pela frente não é transparente. A CMVM pode tirar ilações: o seu presidente, Carlos Tavares, não é de ser influenciado pelo seu benfiquismo... O caso não fica por aqui. Longe vão os tempos de presidentes do Benfica que empolavam negócios para fazer negociatas, a gestão é hoje profissional e muito competente. O que é mais uma razão para a perplexidade. Eu, em pinguins acredito. Voadores é que nunca vi.
