O circo foi ao Algarve

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Um erro gigantesco de Lucílio Baptista, ao transformar em penálti um corte regular de Pedro Silva, ajudou o Benfica a conquistar a Taça da Liga no Algarve. Assim, desta feita, não foram necessárias interpretações toldadas pela clubite para se ouvir que a arbitragem teve influência directa do resultado. Todos o vimos de forma clara.

É evidente que ninguém pode garantir que o Benfica não iria, de forma regular, conseguir empatar noutro lance e posteriormente assegurar a vitória. Mas isso, claro, são suposições. Objectivamente, só após uma decisão completamente errada do juiz é que as águias lograram anular a vantagem leonina. Depois, no desempate através das grandes penalidades, aconteceu o costume: o Sporting perdeu!

Em Portugal, como todos sabem, o futebol parece que só faz sentido se estiver envolto em polémica. E nesta final os ingredientes fulcrais não faltaram: equilíbrio entre as formações em presença, emoção até ao último instante, agressividade nos limites do razoável,  arbitragem repleta de deslizes (para além do lance capital , o juiz assinalou várias faltas ao contrário, esqueceu-se de apitar umas quantas bem visíveis e foi extremamente condescendente com alguns artistas que, pelo menos, deviam ter sido amarelados), declarações radicais e atitudes impensáveis. Resumidamente, o circo que se costuma observar de Norte a Setúbal (sem esquecer a Madeira), desta vez desceu até ao Algarve. É justo! Portugal continental só acaba aí.

Futebolisticamente falando, não se pode dizer que tenhamos assistido a um grande espectáculo. Longe disso. Mas, como defende muita gente (entre as quais José Mourinho), as finais são para ganhar e não para jogar bem. O Sporting, diga-se em abono da verdade, podia ter ganho. Mas, ao invés do que sucedeu no duelo anterior em Alvalade, desta vez não foi muito superior. Teve foi o condão de marcar um golo legal. E isso, nos tempos que correm, já é notícia e podia chegar para vencer. Mas não deu...

De resto, o que mais se pode dizer?

- Quique Flores resolveu, finalmente, jogar com dois avançados de raiz e com Aimar na sua verdadeira posição. Creio que a equipa ficou melhor, pese o facto de Suazo estar completamente fora de forma, o que não surpreende, devido à longa paragem. Só gostava de entender o que terá levado o técnico a decidir por esta táctica mais ofensiva quando, em casa, seja com quem for, joga sempre "encolhido"...

- A entrada de Cardozo, perto do fim, para marcar um penálti foi compreensível, mas alguém percebeu porque Quique mandou tirar o cobrador principal de penáltis, quando Reyes tinha acertado minutos antes?

- Quim conseguiu, ao deter três grandes penalidades, recuperar o ânimo. Será que vai dar para reassumir a titularidade? Duvido!

- Sidnei está mesmo de castigo. Se Miguel Vítor manteve um posto no onze depois de ter falhado no golo do Vitória de Guimarães, o brasileiro vai ter problemas para voltar a jogar.

- Liedson, desta vez, não marcou ao Benfica. Mas acertou no poste. O homem tem mesmo um "feeling" especial para a baliza encarnada.

- Paulo Bento tem todas as razões do Mundo para estar zangado com a arbitragem. Mas não lhe fica bem misturar o que se passou no Algarve com os jogos com o Sp. Braga, na Madeira, na Figueira da Foz, etc, etc. Neste jogo foi enganado. Devia ter centrado a crítica só aí, porque feitas as contas, não são os grandes os mais prejudicados. Jorge Jesus, por exemplo, tem mais razões para "chorar"...

- Pedro Silva foi o grande injustiçado da jornada algarvia. Mas, a peitada em Lucílio Baptista e o arremesso da medalha não cabiam no argumento deste circo. O homem estava cheio de razão mas perdeu-a por completo. E agora vai, seguramente, apanhar "forte e feio".

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