O cofre e o teste da caneta

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No dia 31 de agosto, a poucas horas de fechar o mercado de transferências, eu e o meu querido amigo Fernando Mendes tínhamos programa na CM TV. Durante a viagem desde o Montijo o tema de conversa foi Carrillo. O Fernando é um grande sportinguista e muitas vezes dou-lhe cabo da cabeça porque roça o fanatismo. Estava muito preocupado e perguntou-me: "Paulo Jorge (é assim que ele me chama desde a infância), sabes o que me chegou aos ouvidos? Disseram-me que o Carrillo já tem um pré-acordo com outro clube e é por isso que não renova com o Sporting."

Eu respondi-lhe ao mesmo tempo: "Já estás a ver fantasmas, Fernandinho. Lá vens tu com as tuas fontes da tanga." Mas ele insistiu: "Tu que foste diretor desportivo de uma grande equipa, como é o Atlético Madrid, durante vários anos e, como sabes, o Carrillo está no último ano de contrato. Pode ser possível que ele já tenha algum acordo com outra equipa?"

"Claro que é possível. Não seria o primeiro nem o último. Talvez o exemplo mais recente seja o do Maxi. Não sabes quando assinou pelo FC Porto. Se em julho, maio, janeiro ou setembro", disse-lhe eu, motivando nova resposta. "Mas, Paulo Jorge, em setembro é proibido. Só a partir de janeiro é que é válido."

E eu confirmei: "Tens razão, não é válido. Seria um problema gravíssimo para o jogador e para o clube que fizessem isso. Mas, nestes casos, assina-se um contrato e não há cópias. Este documento fecha-se num cofre de um banco e só poderá ser aberto em janeiro, quando já não existe perigo."

E ele, preocupado, diz-me: "Se o Carrillo tem uma proposta de renovação do Sporting por mais de 1 milhão, como é que o Bruno de Carvalho pode saber se o peruano está a ganhar tempo ou não? Qual é a hipótese de o presidente saber se ele não aceita porque está à espera de mais dinheiro ou porque já tem algo assinado com outro clube?"

Limitei-me a contar-lhe um episódio: "Fernandinho, a única hipótese nestes casos é fazer o teste da caneta. Fiz isso uma vez. O Atlético Madrid estava no segundo ano do inferno da segunda divisão e a situação era muito parecida a esta do Sporting. Depois de alguns meses a negociar apenas com o empresário, chegámos a uma oferta limite de 1,5 milhões líquidos para as próximas épocas. Como não vinha uma resposta positiva, comecei a desconfiar e falei com o meu presidente, Jesus Gil y Gil. Disse-lhe que, para vermos se estávamos a ser enganado, ele tinha de entrar em ação comigo e fazermos uma reunião com o jogador e o empresário. E assim foi. De 1, 5 líquidos passámos para 2 milhões e de 2 milhões para 2,5 milhões líquidos! Com estes números em cima da mesa, o jogador não podia dizer que não. Se não aceitasse era porque já tinha um pré-acordo com outra equipa. Mas aceitou. Fizemos os contratos e, quando o jogador ia assinar e escreveu a primeira letra, tirei-lhe a caneta da mão : "OK, agora já sabemos que não estás a enganar-nos. Vamos lá negociar porque, como sabes, o Atlético neste momento não pode pagar estas cifras."

Como tinha as costas quentes, pois o presidente estava ao meu lado (que foi, é e será sempre o presidente mais "polémico" do Mundo), o jogador e o empresário nem piaram. Acabou por renovar por pouco mais de 1,5 milhões de euros.

Por isso, Fernandinho, está tranquilo. Mais cedo ou mais tarde vais saber. Não será como o caso do Maxi. Daqui a uns dias, o presidente Bruno de Carvalho já saberá as intenções do Carrillo, empresário, e também do Pini Zahavi, que tem 50% do passe do jogador.

Mudando de tema e para terminar. A Seleção perdeu com a França num jogo particular. Mas o importante é o de amanhã. Com o Fernando Santos, levamos cinco vitórias nos cinco jogos oficiais. Melhor era impossível e, na Albânia, se conseguirmos a sexta vitória, daremos um passo muito importante para no próximo verão estarmos no Europeu em França. Muita sorte, craques!

Caldeirada da semana -- O caso De Gea

Nas últimas semanas, fui falando nestas linhas do caso da novela De Gea no Manchester United e o último capítulo acabou de forma horrível. O Jorge Mendes, às 23h35 hora espanhola, tinha a operação fechada . Como é que dois clubes com a experiência de Real Madrid e Manchester United demoraram tanto tempo a fazer os contratos, enviando tudo já depois da meia-noite espanhola? Foi, sem dúvida, um falhanço inacreditável de dois gigantes do futebol mundial.

Nós lá fora -- Jorge Mendes

Fechou o mercado de transferências e, uma vez mais, o meu querido amigo Jorginho foi rei e senhor do verão. Movimentou à volta de 400 milhões de euros com transferências incríveis, como o caso do Di María do Manchester United para o PSG ou do Martial do Monaco para o Manchester United entre muitas outras. Mas podia ter fechado muitas mais, porque, nas últimas 48 horas antes do fecho do mercado, só teve tempo para o De Gea e Keylor Navas. Ainda assim, parabéns amigo, és sem dúvida o número 1.

Álbum de recordações -- Milan

Um dos maiores clubes em que tive o prazer de jogar foi o Milan. Um clube do qual guardo muito carinho e torço sempre para que conquiste o scudetto. Fiquei contente pelo regresso de Balotelli, por empréstimo do Liverpool, e pelas regras rígidas que lhe colocaram. Se ele cumprir estas normas e estiver com a cabeça só no futebol, veremos um Balotelli no máximo nível, o que seria excelente para ele e para os rossoneri. Se falha esta, perde também a última oportunidade de estar num grande clube.

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