O contra-ataque de Vieira
Luís Filipe Vieira acreditava que Quique Flores era o treinador indicado para recolocar o Benfica no trilho do sucesso. E segundo consta, o ano passado (com o posto em aberto), torceu o nariz quando lhe falaram na possibilidade de ser Jorge Jesus o eleito para tomar conta da equipa. Agora, depois de andar meses e meses a apregoar a necessidade de estabilidade no clube, mal a matemática mostrou que a Liga dos Campeões voltaria a ser uma miragem, foi célere a anunciar mudanças. E como facilmente se percebeu, a grande alteração só podia ser despachar o técnico espanhol.
Curiosamente, desta feita, o presidente não perdeu tempo e de imediato assegurou que Jesus seria o sucessor. O bom desempenho do técnico em Braga e (ou) a necessidade de acelerar um processo que, historicamente, tem sido sempre moroso - contribuindo para uns arranques de temporada sempre aos soluços -, exigiam uma atitude rápida. E foi isso que Vieira fez. Sem dar nas vistas, sem confirmar nada, mas foi mesmo assim. Só não percebeu quem não quis...
Recordo-me, aliás, de ver muita gente - no site do Record e não só - colocar em causa o profissionalismo dos jornalistas. Eram todos mentirosos, só queriam arranjar confusão, Quique ia permanecer, etc, etc. Os maus da fita são sempre os mesmos. E quando as águias enviaram um comunicado à CMVM dizendo que não tinham intenção alguma de rescindir o contrato do técnico... foi uma festa. Poucos repararam na palavra "unilateralmente". O Benfica não queria era pagar tudo o que Quique tinha direito. E parece que os dirigentes foram bem sucedidos na sua estratégia, pois o divórico com o ex-técnico está tratado e, aparentemente, sem gastar os tais 3,5 milhões de euros de que se falava.
Mas, a saída de Quique foi só uma parte da verdade que há muito Record garantiu. A entrada de Jesus também está no plano. O anúncio público acontecerá em breve. Restam limar algumas arestas. Por outras palavras, falta saber em quanto é que as águias, Jesus ou ambos terão de indemnizar o Sporting de Braga que, naturalmente, quer fazer valer os seus direitos. Mas, com mais ou menos euro, a ida de Jesus para a Luz será uma realidade. E o seu sucessor em Braga também é fácil de adivinhar...
Mas, Vieira não tem de preocupar-se apenas com as questões do futebol. A oposição, que durantes meses moveu-se silenciosa, resolveu entrar em campo. E as críticas começaram a aparecer por todos os lados. De José Veiga a Bagão Felix, de Fernando Tavares a Varandas Fernandes, muitos foram os que mostraram vontade de avançar para, nas urnas, tentar destronar o actual líder.
O presidente, visivelmente preocupado - se os resultados do futebol ajudassem a sua margem seria quase total -, optou por jogar em contra-ataque. Solicitou a todos os órgãos sociais que apresentassem a respectiva demissão e antecipou as eleições para 3 de Julho. Basicamente, com esta táctica, deixa a oposição sem tempo para se organizar e tentar passar a sua mensagem aos sócios. Por outras palavras... já ganhou o escrutínio. Só correrá o risco de perder se, como já defendi anteriormente, Rui Costa estiver de outro lado da barricada e isso, decididamente, não creio que possa ocorrer.
Mas já se ouve por aí que a oposição se prepara para questionar a legalidade da decisão de Vieira. E caso não consiga anular este súbito contra-ataque, talvez nem sequer avance para o acto eleitoral, evitando uma mais que previsível derrota. Mas, desta ou daquela forma, o Verão encarnado promete ser quente. E mesmo antes da bola começar a rolar...
PS - Imperdível a entrevista de Manuel Vilarinho, o presidente demissionáro da Assembleia Geral encarnada, na TVI 24. "Benfiquista sou eu e mais 10 ou 20"; "O título de basquetebol não me diz nada, aquilo é um sorvedor do dinheiro de futebol"; "Prefiro trabalhar com sportinguistas do que com benfiquistas que só se queixam que dão muito ao clube", etc, etc. Um mimo, culminado com uma declaração mais inesperada: "Comigo, se o treinador espanhol que cá estava não deixasse o Chalana e o Diamantino equipar-se, quem ia embora era logo ele". Em suma: o "show" habitual de uma persongem diferente. Mas com piada...
