O "criminoso" Rui Costa
A luta contra o mundo das apostas continua na ordem do dia. Ou melhor: a luta contra algumas apostas. Desta vez foi Rui Costa a ser "apanhado" na onda de fiscalização que, pelos vistos, não deixa ninguém pisar o risco. Assim é que é!
Mas, o médio do Benfica participou em alguma jogada de bastidores para acertar resultados? Não! Apostou na derrota da sua equipa? Não! Tentou ou conseguiu levar alguém a não fazer o seu melhor dentro do campo em prol de uma qualquer organização duvidosa? Também não! Rui Costa cometeu apenas o "crime" de se associar, através de publicidade no próprio site da empresa, a uma casa de apostas, algo que viola o artigo 15 do Código de Ética da FIFA.
Tenho de concordar que a lei - como todas as outras - deve ser cumprida. Só não consigo entender a lógica da mesma. Rui Costa, ou outro qualquer futebolista, estará a cometer uma ilegalidade se preencher e registar um boletim de totobola? E no totoloto ou euromilhões, pode jogar? A lei da FIFA indicia que não, mas em Portugal nunca ninguém se preocupou com isso, até à "invasão" dos sites demoníacos que, imagine-se, até se lembram de patrocinar competições desportivas.
Estou de acordo que se façam todos os possíveis para impedir a existência de resultados combinados no desporto, mas daí a proibir que um futebolista actue como um cidadão livre parece-me exagerado. Considero óbvio que um árbitro não deve apostar na vitória de determinada equipa num jogo em que vai estar envolvido, mas não entendo qual é o problema de um jogador apostar que a sua equipa vai ganhar o embate do fim-de-semana.
Tendo em conta as últimas notícias, também já há por aí gente preocupada com o patrocínio da Sagres à Liga de futebol. De facto, para os puritanos do sistema, depois de uma casa de apostas, só faltava uma marca de cervejas. Têm razão. Se ninguém actuar de forma firme, a seguir ainda pode ser um "cabaret" ou algo do género... Antes o café aqui da esquina!
Aliás, não deve tardar muito para que sejam proibidos os anúncios de futebolistas (e outras figuras públicas) a refrigerantes (possuem conservantes que fazem mal à saúde), bebidas alcoólicas (o País corre o risco de andar todo "entornado" só para homenager um jogador que marque um golo importante), hamburgueres (são verdadeiras bombas de colesterol), a automóveis de grande cilindrada (continuamos a ter estatísticas assustadoras no que se refere a acidentes nas estradas), bancos (com as bolsas tão voláteis é um convite para o abismo), etc, etc. Penso que até devem ser abolidos os anúncios a tintas, lacas e desodorizantes. A minha vizinha diz que isso faz mal ao ambiente...
Começo a estar seriamente preocupado com a noção de democracia de muitas pessoas em Portugal e no Mundo. Tudo o que os outros fazem é perigoso, ilegal e pode levar a comportamentos desviantes. Certo é proibir as crianças de ver coisas negativas na televisão e fechá-los no quarto a jogar "playstation", de preferência um daqueles jogos em que o objectivo é matar polícias e atropelar velhinhas...
