O desafio de Vieira
Vieira parece ter passado o primeiro teste da temporada. Se as reacções ao anúncio do sucessor de Koeman foram na generalidade negativas - na minha opinião, a escolha foi pouco arrojada apesar do apreço pelo homem que foi despedido de Alvalade de uma forma tudo menos digna - quatro dias depois o parecer de muitos já mudou.
Para isso, houve dois factores fundamentais: Fernando Santos começou logo a trabalhar e Veiga e Vieira têm feito o que podem para acentuar a unanimidade em torno do treinador. Enfim, funcionando, como se deseja, como uma verdadeira equipa.
Vieira assumiu o timing adequado. Surgiu na Luz com Fernando Santos quando ninguém esperava, mas isso aconteceu depois do nome de Rui Costa estar na praça pública como reforço dos encarnados. Agora, com os mais cépticos conformados, é apresentado o 10 desejado desde o dia que partiu e os critérios da escolha do treinador passam, como é normal no futebol, rapidamente para segundo plano.
Não tenho dúvida, como já escrevi, que o Benfica vai viver um entusiasmo acrescido com Rui Costa no relvado - e isso reflectir-se-á em vários domínios - mas a época será de grandes desafios (para mais tendo em conta que não será fácil a Benfica e Sporting derrotar um FC Porto muito forte) e o principal, ainda mais do que o de Fernando Santos, pertencerá a Luís Filipe Vieira, que não se pode ficar por criar ilusões.
