O dilema de Nuno
No final da relação de Nuno Gomes com o Benfica ninguém sai bem na fotografia.
O clube tem uma grandeza que não se expressa quando despreza uma figura com a dimensão do avançado. Nuno Gomes acha que pode jogar mais um ano com alto nível? Pois bem, cabe ao líder do Benfica conciliar essa vontade com os interesses do clube. Não se vislumbram grandes dificuldades nessa conciliação face ao futebol que o capitão mostrou na época finda, nas poucas oportunidades que teve. E se Nuno Gomes está disposto a baixar o salário noutro emblema português, mais estaria disponível para o fazer no Benfica.
É um mau sinal que se lança para todos os jogadores com vários anos de permanência no clube – enxotar Nuno Gomes prova a Luisão, por exemplo, que não vale a pena pensar no Benfica com amor. É de mercenários, apenas mercenários que uma equipa campeã é feita? – não. Basta olhar para a história de todos os grandes clubes.
Pelo seu lado, Nuno Gomes também deveria ter uma perspetiva de mais longo prazo sobre a sua carreira. Não enquanto apenas jogador mas como homem do futebol.
Se Nuno Gomes for jogar para o Sporting de Braga, destrói todo o capital afetivo que granjeou nos seus anos de Benfica. Com a dimensão que vem conseguindo, o Braga é já um rival direto do Benfica. Nuno Gomes deveria encerrar a carreira no estrangeiro de forma a poder voltar ao Benfica com outras funções logo nos anos seguintes.
Se Nuno Gomes acabasse a carreira com golos marcados num campeonato competitivo como é o turco, o italiano, ou o francês, poderia tornar-se uma importante arma eleitoral dentro de um ano.
Se Nuno rumar a Braga, os golos que marcar serão contra ele mesmo, enquanto ativo de futuro no universo benfiquista.
